Justiça determina interdição e remoção das famílias do Cingapura

Localizado próximo do complexo Center Norte, o conjunto habitacional também apresenta risco de explosão devido vazamento do gás metano

iG São Paulo |

A Justiça de São Paulo determinou nesta segunda-feira a interdição do conjunto habitacional Cingapura Zaki Narchi, na zona norte da capital. Além disso, a decisão inclui a remoção de todas as famílias residentes nele. A decisão foi tomada na última sexta-feira (7), mas só foi divulgada hoje tribunal. O residencial fica próximo do Center Norte, interditado durante dois dias pela prefeitura devido ao risco de explosão com o vazamento do gás metano. A decisão cabe recurso.

Leia também: "Não é totalmente seguro, mas não tenho medo", diz moradora

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Técnicos realizam medição de gás metano no conjunto habitacional Cingapura Zaki Narchi

Para o juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10ª Vara da fazenda Pública, “trata-se, sem dúvida, de uma medida extrema essa de interdição e remoção dos moradores, mas ela é a única que pode eficazmente controlar a situação de risco a que essas pessoas estão submetidas, exigindo-se a intervenção do Poder Judiciário”. A interdição do local deve ocorrer imediatamente, diz texto. Em sua decisão, Andrade ressalta que a Cetesb também identificou a presença do gás metano. Segundo o órgão, a quantidade caracteriza situação de risco com potencial de explosão.

Logo após a divulgação da decisão, a Secretaria de Habitação (Sehab) manifestou que ainda não foi notificada da decisão e, por meio de nota, disse confiar a respeitar a Justiça. No entanto, pontuou que o cenário do Center Norte e o do Cingapura não podem ser comparados.

"O conjunto fica à margem do terreno onde existiu uma cava de mineração de areia na década de 1940. A cava foi aterrada com solo, entulho e resíduos sólidos urbanos. O Shopping está integralmente "em cima" do aterro", explica a Sehab. Segundo a secretaria, todas as providências técnicas continuarão a ser implantadas "no menor prazo possível" em respeito aos 2.787 moradores do complexo.

Na última sexta-feira (7), o Ministério Público indicou a situação e por meio da Promotoria do Meio Ambiente da Capital solicitou a remoção de todos os moradores do conjunto . Com as avaliações técnicas do MP, o juiz considerou que as medidas "devem ser adotadas urgentemente, para que se possa ter, em breve tempo, um controle rigoroso sobre a situação".

Em seu pedido, a promotora Cláudia Cecília Fedeli utilizou um parecer da Cetesb relatando que “existe risco potencial expressivo de explosão em função das concentrações encontradas em subsuperfície da detecção de gás com pressão”. No entanto, na tarde de quinta-feira (6), o diretor de controle e licenciamento ambiental da Cetesb, Geraldo do Amaral Filho, havia afirmado que a área está sendo monitorada desde 2009 e que não há o risco de explosão.

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Conjunto habitacional Cingapura Zaki Narchi
Moradores despreocupados

Os moradores do conjunto habitacional aguardam uma posição da Prefeitura para saber o que devem fazer. "O Ministério Público disse que a gente tem que sair, mas a Prefeitura falou para a população que ainda não recebeu nenhuma notificação. A situação aqui é a mesma e as pessoas continuam medindo. Uns dizem que tem gás, outros que não, então a gente fica sem saber o que está acontecendo", explica Cléia, dona de um pequeno trailer que usa como lanchonete e moradora do local há quase um ano.

Em conversa com o iG , Sara Barbosa, moradora do Cingapura desde a sua construção , em 1995, se mostrou despreocupada sobre o que acontece no local. “Eles vieram aqui um dia, abriram uma caixinha de metal que tem no chão aqui do pátio, mediram e agora voltam todo dia”, conta.

Sara afirma que todo dia alguém conversa sobre a existência do gás no Cingapura, mas que não sente medo. “Essa noite eu até sonhei que um prédio estava desabando. Não vou dizer que é totalmente seguro, mas não tenho medo não, conheço o lugar que moro, aqui não era o lixão, era tudo mata e rio”, diz, de forma despreocupada.

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