Justiça decreta prisão de advogado suspeito de abusar dos filhos

Vara Criminal de Bauru acata pedido de prisão preventiva. Mulher de Sandro Fernandes também vai para a cadeia

Kelli Franco, especial para o iG |

Wilian Olivato / Futura Press
O advogado Sandro Fernandes, acusado de abuso sexual contra os filhos
A Justiça de Bauru decretou na noite desta sexta-feira a prisão preventiva do advogado e assessor sindical Sandro Luiz Fernandes, de 45 anos, e de sua mulher, Fernanda Fernandes. A decisão foi divulgada enquanto os dois depunham na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, cidade a 326 quilômetros de São Paulo.

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Sandro é suspeito de atentado violento ao pudor por supostamente ter cometido abusos sexuais contra a filha, a sobrinha, a cunhada e o filho de 9 anos. A mulher de Sandro é suspeita de ter sido conivente com os abusos. A decisão foi tomada pelo juiz Jaime Ferreira Menino, da Vara Criminal de Bauru. Fernanda vai para a Cadeia Feminina de Avaí e ele para a Cadeia Pública de Barra Bonita.

Nesta sexta, Sandro e a mulher depuseram , mas ainda não se sabe o que eles disseram à polícia. No meio do depoimento, Fernanda passou mal e teve de sair de ambulância. Durante esta sexta, os advogados do Sandro pediram segredo de Justiça para o caso, que foi concedido.

A Justiça já havia determinado que Sandro não se aproximasse da filha , uma estudante de Direito de 18 anos. Ontem, a mesma medida foi aplicada à mãe. A garota justificou o pedido dizendo que a mãe foi até a casa onde ela está com o irmão de nove anos e a ameaçou.

Como tudo começou

Wilian Olivato / Futura Press
A mulher de Sandro, Fernanda Fernandes
A filha de Sandro Fernandes relata que sofreu abusos sexuais dos 8 aos 16 anos. Atualmente, ela tem 18 anos. O mesmo aconteceu com a cunhada, que teria sofrido abusos quando tinha 10 anos. Hoje, ela também está com 18 anos. A terceira vítima, a sobrinha, teria sido abusada quando ia visitar os parentes em Bauru. A família dela mora em Curitiba e os abusos teriam acontecido quando ela tinha entre 9 e 10 anos. Atualmente, ela tem 13.

Quando Sandro viajou com a esposa em férias para a Europa, no final de agosto, a filha acabou contando para uma tia que era abusada pelo pai. Essa tia, mãe da menina de 13 anos, disse ter descoberto pouco tempo depois que a filha dela e a cunhada de Sandro também sofreram abusos. As duas meninas, já maiores de idade, decidiram, então, procurar a polícia, aproveitando a ausência do advogado.

No dia 1 de setembro foi registrado o boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, mas tudo foi mantido em sigilo. No último dia 26, as vítimas resolveram convocar a imprensa e dar detalhes dos fatos.

“Ele só me apalpava quando eu estava dormindo. Senão ele só se exibia”, conta a cunhada. “Eu pensava que era só comigo”, completa. Ainda segundo os relatos, em nenhum momento houve penetração com as vítimas.

Q uem é Sandro Fernandes

Sandro Fernandes é advogado do Sinserm (Sindicato dos Servidores Municipais) há 14 anos e do Sindicato dos Bancários de Bauru e região há 20 anos. Foi filiado ao PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) até 2008. Ele deveria ter voltado ao trabalho no sindicato dos bancários na segunda-feira, mas ligou pedindo mais alguns dias de folga. Na segunda-feira, ele já tinha sido informado sobre as acusações. Ele alegou estar em São Paulo em compromissos.

Sandro foi candidato a prefeito em 2004 e a vereador em 2000 e em 2008. Em 2008, foi o nono candidato ao Legislativo mais votado em Bauru. Só não conseguiu a vaga na Câmara dos Vereadores porque a coligação dele não conseguiu o número mínimo de votos necessário. Sandro recebeu 2.519 votos com bandeiras como o combate à corrupção.

O advogado também é dono de um conceituado escritório de advocacia na cidade, além de já ter sido membro da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), subsede Bauru. O atual presidente da comissão, Gilberto Truijo, afirmou estar chocado com as acusações. A maioria das pessoas ligadas a Sandro prefere ter cautela e torcer para que as acusações não sejam verdadeiras.

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