Justiça dá prazo para desocupação de prédio em São Paulo

Moradores sem-teto devem deixar local até o dia 8 de novembro

Agência Brasil |

As 1,2 mil pessoas que ocuparam um edifício da Avenida Ipiranga , centro da capital paulista, no último dia 4, receberam sexta-feira (29) um prazo para que deixem o local. Até o próximo dia 8, todas devem sair do imóvel, como determina decisão liminar sobre o pedido de reintegração de posse ajuizado pelo proprietário do prédio.

Os ocupantes entraram no edifício durante uma ação coordenada da Frente de Luta por Moradia (FLM). Na ação, outros três prédios abandonados no centro de São Paulo foram ocupados. Segundo a FLM, esses imóveis abrigam atualmente cerca de 3 mil pessoas.

De acordo com o movimento, dos quatro prédios, dois já tiveram pedido de reintegração de posse aceitos pela Justiça. Além do imóvel da Avenida Ipiranga, um edifício da Avenida Nove de Julho, propriedade do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), terá de ser abandonado no dia 28, conforme decisão liminar da Justiça Federal.

Os prazos e a indefinição sobre o destino das famílias preocupam o coordenador da FLM, Osmar Borges. Ele disse que nenhuma alternativa de moradia foi apresentada aos ocupantes dos prédios até agora. “Essas pessoas não têm para onde ir”, afirmou Borges, referindo-se aos sem-teto que vivem no prédio da Avenida Ipiranga. “Provavelmente, vamos montar barracas na rua, na frente do prédio, e cobrar uma solução para todos.”

Ele afirmou também que a FLM vai recorrer da decisão da Justiça para que as famílias possam continuar no imóvel. Porém, disse que não tem grandes expectativas. “A Justiça trabalha a favor dos especuladores imobiliários.”

Quanto ao prédio da Avenida Nove de Julho, Borges está mais otimista. Ele disse que os sem-teto estão negociando com o governo federal uma forma de transformar o edifício em uma moradia definitiva para os que hoje o habitam. Ele lembrou a negociação já dura anos. Mesmo assim, o prédio continuava abandonado antes da ocupação.

“Há uma série de entraves jurídicos e burocráticos a repeito deste prédio”, explicou Borges. “Mas ele já está incluído na lista de imóveis que serão usados no programa Minha Casa, Minha Vida."

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