Julgamento de médicos acusados de retirar rins de pacientes é retomado

Juiz que ouvir os três réus acusados de envolvimento com suposto esquema de tráfico de órgãos humanos ainda nesta tarde

iG São Paulo |

AE
Médico Pedro Henrique Torrecillas, um dos acusados pelo crime, é visto no 1º dia do júri
O júri dos três médicos acusados de terem provocado a morte de quatro pacientes, entre setembro e dezembro de 1986, em Taubaté, interior de São Paulo, foi retomado nesta terça-feira, às 9h15. Esse é o segundo dia do júri do caso Kalume - um susposto esquema de tráfico de órgão humanos já que os médicos são acusados de retirar os rins dos pacientes vivos.

De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), seis testemunhas de defesa foram ouvidas hoje e uma acariação entre duas delas foi feita. Anteriormente havia sido divulgado a presença de 9 testemunhas, mas três foram dispensadas.

Por volta das 16h30, o acusado Rui Noronha Sacramento começou a ser interrogado. De acordo com o TJ, a intenção do juiz é ouvir os outros dois réus ainda nesta tarde.

Leia também: "Eu não vi morte encefálica em nenhum dos casos", diz denunciante

O primeiro dia de julgamento, na segunda-feira (17), foi encerrado às 19h45 e sete testemunhas de acusação e uma de defesa foram ouvidas. O principal denunciante no julgamento do caso Kalume, O médico Roosevelt Sá Kalume, foi ouvido às 14h45 e durou cerca de duas horas. Segundo a acusação, os médicos usavam diagnósticos falsos de morte encefálica para extrair os rins dos pacientes vivos e utilizá-los em uma rede de transplante de órgãos.

Em seu depoimento, Kalume ressaltou que não viu morte encefálica em nenhum dos pacientes atendidos pelos três acusados. "Dentro da minha concepção eu não vi morte encefálica em nenhum dos casos apresentados. Se eu morrer, só quero ser enterrado quando meu coração parar", disse o médico, que na época era diretor do departamento de medicina da Universidade de Taubaté.

Kalume disse que os órgãos que eram retirados dos pacientes eram levados para São Paulo pela Polícia Rodoviária Federal, conforme lhe foi informado pelo médico Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, que faleceu em maio deste ano. Ele e os demais médicos Pedro Henrique Torrecillas e Rui Noronha Sacramento, com a participação do médico Mariano Fiore Júnior, são os réus no processo. Todos eles sustentam que são inocentes e que a denúncia é mentirosa.

A enfermeira Rita Maria Pereira, cujo depoimento antecedeu o de Kalume, confirmou ter presenciado a retirada dos rins do paciente José Carneiro, que foram colocados numa caixa. Segundo ela, logo depois desse procedimento, o médico Pedro Henrique Torrecillas teria usado um bisturi para cortar o peito de Carneiro, quando o paciente se debatia na tentativa de levantar da maca.

"O doutor Torrecillas pegou um bisturi e enfiou no peito do paciente e disse: 'Viu? É assim que se faz", afirmou a enfermeira. Carneiro teria parado de se bater e a enfermeira, aconselhada por outro médico, a não comentar com ninguém os fatos que havia presenciado.

*com Agência Brasil e AE

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