Juiz ouve testemunhas do caso Mércia em Guarulhos

Primeira audiência de instrução sobre a morte da advogada Mércia Nakashima começa com testemunhos da acusação

iG São Paulo |

O juiz Leandro Bittencourt Cano, da Vara do Júri de Guarulhos, na Grande São Paulo, começou a ouvir, nesta segunda-feira, as testemunhas que podem ajudar a esclarecer o assassinato de Mércia Nakashima, de 28 anos. A advogada desapareceu no dia 23 de maio após deixar a casa da avó, em Guarulhos, e o corpo dela foi encontrado boiando na represa de Nazaré Paulista, no interior do Estado, no dia 11 de junho.

Esta é a 1ª audiência de instrução do caso. Ao todo, estão previstas para serem ouvidas 25 pessoas - sendo oito testemunhas de acusação, 15 de defesa e dois do juízo, além do ex-namorado da vítima Mizael Bispo de Souza, policial militar reformado e advogado; e o vigia Evandro Bezerra da Silva, acusados de ter assassinado a advogada.

Futura Press
Márcia Nakashima se emociona ao chegar ao Fórum de Guarulhos para audiência sobre a morte de sua irmã, Mércia
As testemunhas de acusação são as primeiras a serem ouvidas pelo juiz. A primeira é a irmã de Mércia, Cláudia Eliane Mayume Nakashima. Depois serão o irmão da advogada, Márcio Nakashima, e o flanelinha Bruno da Silva Oliveira, que diz ter visto Mércia entrando no carro de Mizael no dia do crime.

Parentes e amigos da advogada Mércia Nakashima estão no Fórum de Guarulhos para acompanhar a audiência de instrução do caso. “A vida está muito difícil. Ele conseguiu acabar não só com a minha filha, mas com toda a família”, afirmou bastante emocionada a mãe de Mércia, Janete Nakashima, de 52 anos, professora, que chegou vestindo camiseta com uma foto da advogada. “A saudade é muito grande, a revolta é muito grande. Tenho de reaprender a viver sem minha filha.”

Sob chuva, a professora aposentada Elza Nogueira da Silva, de 66 anos, se esconde atrás da faixa: “Mercinha junto com você está indo um pedaço de todos nós. Não descansaremos enquanto não obtivermos justiça. Chamamos hoje, amanhã e sempre. De sua família que tanto te ama.” A professora deu aula para a mãe da vítima, Janete, para a tia, e é amiga próxima da família. Acordou cedo para pedir justiça. “A Janete não merecia perder a filha assim. Eu a vi nascer, acompanhei tudo.”

O delegado Antônio de Olim, que era responsável pela investigaçãos do caso quando estava à frente da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, chegou ao Fórum por volta das 9h. “Fui chamado pela defesa dele (Mizael). Vou contar o que sei, o que investiguei. Estamos preparados para responder o que precisar e colocar o Mizael na cadeia.”

Também estão no local o pai de Mércia, Makoto Nakashima, o advogado de defesa Alexandre de Sá.

Crime

Para o Ministério Público, Bispo matou Mércia por ciúme e por não se conformar com o término do relacionamento. Ele foi denunciado por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Silva que teria ajudado Bispo a fugir do local do crime foi denunciado por homicídio duplamente qualificado - motivo cruel e recurso que impossibilitou defesa. "O homicídio foi causado por motivo torpe e repugnante, pelo fato da vítima ter terminado um relacionamento amoroso com o acusado. O meio cruel foi porque foram feitos disparos em partes não letais do corpo de Mércia, o que causou dor e aflição. Já o recurso que dificultou a defesa da vítima foi pela dissimulação que o acusado usou para atrair a vítima para uma encontro quando sua intenção era matá-la", afirmou o promotor Rodrigo Merli Antunes, do MP, a época da denúncia, em agosto.

Reconstituição

No último dia 17 de setembro, a polícia e o Ministério Público realizaram a reconstituição do crime com base no depoimento de um pescador que afirmou ter visto um carro se aproximando da represando na noite de 23 de maio e, depois, afundando na água. A reconstituição durou cerca de 3h e foi acompanhada pelos advogados de Bispo e Silva

Ao término, o promotor afirmou que o saldo havia sido positivo. "Tudo se encaixa. A avaliação foi positiva e já temos respostas para as perguntas", disse Rodrigo Merli Antunes.

Relembre, em imagens, a cronologia do caso Mércia:


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