Jovem confessa participação na morte de aluno da USP: "Infelizmente ele reagiu"

Jovem se entregou à polícia nesta quinta e afirmou estar arrependido. Felipe Ramos de Paiva foi morto em maio, no estacionamento

Fernanda Simas, iG São Paulo | 09/06/2011 15:51 - Atualizada às 19:58

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O jovem Irlan Graciano Santiago, conhecido como Queiroz, 22 anos, pai de uma criança de 1 ano, se entregou à polícia nesta quinta-feira e confessou ter participado do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, no dia 18 de maio, no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. “Estou arrependido, pode falar para a família dele”, afirmou nesta tarde ao ser apresentado na Divisão de Homicídio do Departamento de Homicídio e de Proteção a Pessoa (DHPP).

Foto: Caio Buni/Futura Press

Irlan disse que realizou o crime por problemas financeiros. Por enquanto, ele ficará em liberdade

Santiago afirmou que não fez o disparo contra o estudante. Segundo seu advogado, Jeferson Badan, ele não tinha dinheiro para comprar alimentos para seu filho pequeno e decidiu, junto com um comparsa que havia conhecido 15 dias antes do crime, que roubaria um carro para vendê-lo em seguida e usar o dinheiro. Eles resolveram praticar o crime na USP por ser um "local bastante grande, com muito carro e pouca segurança", contou Badan.

Santiago não quis explicar como entrou na universidade. Lá dentro ele o comparsa abordaram uma mulher que estava em um carro modelo Ecossport, mas desistiram de assaltá-la após verem que ela tinha uma deficiência física. "Todo bandido tem ética", foi a frase do advogado Badan ao se referir a esse fato. Depois da desistência, os dois homens entraram no carro e obrigaram a mulher a dirigir pelo campus até escolherem outra vítima.

Segundo o advogado, seu cliente afirmou que ficaram dando voltas por cerca de uma hora sem serem notados por nenhum segurança até que avistaram Felipe no estacionamento. Durante a apresentação, Santiago explicou porque seu comparsa teria baleado o estudante após o anuncio do assalto. "Infelizmente ele [Felipe] reagiu. Deu dois socos na cara do meu parceiro."

O advogado ainda disse que os dois assaltantes deixaram a USP dentro do carro da mulher, que orientou o caminho. Por ter se apresentado e confessado o crime espontaneamente, Irlan não foi preso e poderá voltar para casa após dar todos os esclarecimentos."Estamos trabalhando dentro da lei. Meu cliente é réu primário, tem residência fixa, confessou espontaneamente. A lei favorece que ele responda em liberdade", afirmou Badan.

Questionado sobre a possibilidade de seu cliente fugir, o advogado apenas garantiu que Santiago responderá pelo crime que cometeu. "Ele sabe que vai pegar uma pena difícil, mas vai ter o atenuante da confissão espontânea."

Segundo o delegado Maurício Guimarães Soares, o jovem responderá por latrocinio e ainda não está decidido quando será feito o pedido de prisão preventiva do suspeito.

Segundo suspeito

"Já temos o esclarecimento quase total do crime", informou o delegado, em entrevista coletiva. Ele explicou que Irlan não denunciou o parceiro, mas que a polícia já tem informações sobre esse segundo suspeito e trabalha para prendê-lo.

O advogado Badan comentou o fato de seu cliente não ter contado aos policiais o nome do companheiro. "Todo cagueta ou morre na cadeia ou morre no bairro onde mora."

Irlan e se comparsa não são nenhum dos suspeitos que tiveram imagens e os retratos falados divulgados após o crime. "Vários criminosos atuam na USP", disse o delegado Maurício Guimarães Soares. As imagens divulgadas anteriormente são de outros suspeitos de praticarem roubos dentro da universidade.

Segurança na USP

Desde o crime, a segurança dentro do Cidade Universitária é tema de debates. Após o assassinato, o Conselho Gestor da USP decidiu encaminhar à reitoria um pedido para o desenvolvimento de um protocolo para definir a ação da Polícia Militar no campus. Uma nova reunião - ainda sem data definida - do conselho vai estabelecer as medidas práticas que serão tomadas para aumentar a segurança na Cidade Universitária.

Os professores, alunos e funcionários presentes ao encontro não aprovaram o aumento do efetivo da Guarda Universitária nem novas medidas para controlar o acesso ao câmpus. O Conselho Gestor é formado por representantes das unidades de ensino e pesquisa, institutos especializados e museus, além de representantes discentes e de servidores. 

Foto: AE

Crime ocorreu por volta das 22h do dia 18 de abril

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