Irmão de Mizael ligou para vigia para pedir segurança, diz defesa

Advogado de Mizael e do irmão dele diz que 27 ligações entre pintor e vigia do caso Mércia eram para relações comerciais

iG São Paulo |

O pintor Altair de Souza, irmão de Mizael Bispo de Souza, acusado pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima, de 28 anos, prestou depoimento na manhã desta quarta-feira no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo. O objetivo da polícia era descobrir porque Altair conversou 27 vezes por telefones com o vigia Evandro Bezerra da Silva em datas próximas ao dia 23 de maio, dia em que Mércia foi vista pela última vez.

Altair permaneceu no DHPP por cerca de uma hora e, segundo o advogado dele, Samir Haddad Jr., que é o mesmo que defende Bispo, Altair manteve a versão que deu no 1º depoimento. "Ele queria arrumar um segurança para ficar na rua do Mizael para evitar algum tipo de arbitrariedade, que pixassem a casa dele ou coisas do tipo. E ele também estava negociando a compra de um terreno em Nazaré Paulista", afirmou Haddad.

O advogado alegou também que as ligações não foram todas feitas no mesmo dia e que aconteceram antes do corpo de Mércia ser encontrado e Mizael e Evandro denunciados. "Eles nunca negaram contatos, não eram amigos, mas tinham uma relação comercial. Mizael conseguia uns bicos pra ele, não queriam armar crime nem nada", disse. Haddad acrescentou também que o pedido para que Altair fosse ouvido foi feito pelo promotor de Justiça.

Reconstituição

Polícia Civil realiza nesta tarde a primeira parte da reconstituição do caso , com base no depoimento de Mizael. A intenção é ver se o que ele diz corresponde às informações obtidas pela polícia e aos dados do rastreamento do carro dele e de aparelhos celulares. Policiais farão fotografias do local onde o advogado teria se encontrado com o vigia até o lugar onde o ex-PM pegou Mércia naquele dia. 

De acordo com o delegado Antonio de Olim, a reconstituição total do crime na represa de Nazaré Paulista deve acontecer quando o tempo estiver mais quente e quando houver lua cheia, condições semelhantes às da noite em que Mércia foi morta.  Sobre a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) de revogar as prisões de Souza e do vigia, o delegado afirmou que "é desanimador, mas é a lei". "Eu fiz a minha parte", disse.

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG, antes mesmo de saber da morte da irmã, Cláudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. "Quando estava com ele Mércia era outra pessoa. Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, disse Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado alegou que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. Um fato que complicou a situação de Bispo é que o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

O laudo divulgado no último dia 20 de julho pelo Instituto Médico Legal (IML) diz que Mércia foi ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, ainda foi atingida no rosto por um outro objeto, que a perícia não conseguiu precisar qual foi. A causa da morte apontada no laudo é afogado. Para a polícia, ela teria sido jogada dentro do carro, ainda com viva, mas desacordada, na lagoa de Nazaré Paulista. Leia também a cronologia do caso .

*Com informações do iG São Paulo

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