Imprudência e passividade da CET marcam 1º dia de multas em SP

iG vai às ruas e flagra ação de motoristas e a não aplicação de multas na 3ª etapa da campanha de respeito aos pedestres

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Perto de completar três meses de atuação em São Paulo, a campanha de respeito aos pedestres da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) entrou nesta segunda-feira em sua terceira etapa – a fiscalização. Depois das ações educativas desde o início de maio, com orientadores de travessia e as “mãozinhas”, os agentes da CET dizem intensificar a aplicação de multas na capital. O primeiro local que recebe a alta fiscalização é a região central da cidade justamente por ter sido a pioneira a receber o conceito de Zona Máxima de Proteção ao Pedestre (ZMPP).

A reportagem do iG percorreu alguns cruzamentos da região central para acompanhar as ações dos motoristas e inclusive flagou uma viatura da CET desrespeitando os direitos dos pedestres. Em todos os locais, o assunto “respeito aos pedestres” era o mais comentado. No cruzamento das avenidas Paulista com Brigadeiro Luís Antônio, região central, a situação era considerada tranquila por um agente da CET. Para ele, “os motoristas estão atentos e percebem a importância da campanha”.

Leia também: CET começa a multar motorista que desrespeitar faixa de pedestre

Por volta das 8h, o mesmo agente ainda não havia notificado nenhum motorista nos enquadramentos focados pelo programa. “Ainda estamos em fase de ensino. Quando a situação não é grave e nenhuma vida foi colocada em risco, ainda converso e explico ao motorista como proceder”, explica o agente que preferiu não ser identificado.

Porém, mesmo com o programa e a presença dos agentes na cidade, alguns pedestres acreditam que ainda não estão seguros e “não forçam a travessia”, como a advogada Ana Lúcia Molinari, no cruzamento da Paulista com a rua Frei Caneca. “Vejo que alguns motoristas estão parando antes da faixa, mas a situação está longe do ideal. Com um agente perto, tudo muda e os motoristas ficam bonzinhos. Nunca arriscaria atravessar em outras regiões onde a campanha não chegou”, explica.

No mesmo local, o taxista Francisco de Assis, de 60 anos, cometeu o erro de não dar preferência aos pedestres e, devido ao trânsito, parou sobre a faixa. Questionado pelo iG , ele disse estar informado sobre as multas e que não parou antes da área de travessia pois “poderia ser atingido na traseira por um motorista desatento”. “Agora o trabalho da CET deveria ser facilitar a vida do motorista, com recuos de faixas. Se eu dou passagem atrapalho o trânsito e isso piora tudo”, explicou.



Já no cruzamento das ruas Augusta com Antônio Carlos, região central, a presença do agente da CET não inibiu alguns motoristas “ousados” de cruzar a via sem dar o sinal para a manobra, a seta - ação considerada grave, com perda de 5 pontos na carteira e multa de R$ 127,69. Ignorar a presença dos pedestres já em processo de travessia foram ocorrências constantes neste cruzamento. No período em que a reportagem permaneceu no local, entre 9h30 e 10h, mesmo com todas as infrações, nenhuma autuação foi feita.

De acordo com a CET, a nova etapa da campanha atua com pelo menos cinco enquadramentos do código brasileiro. Não dar vez aos pedestres na faixa, não esperar a conclusão da travessia (mesmo com o semáforo aberto para os carros) e não dar preferência aos pedestres em vias transversais são as principais infrações cometidas pelos motoristas em São Paulo. A CET também afirma que foi intensificada a fiscalização contra motoristas que não dão seta ao entrar em uma rua e contra quem para sobre a faixa, quando o semáforo fecha.

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