Idosa encontrada presa em porão tem alta e vai para casa do filho

Polícia Civil vai ouvir as filhas do casal acusado de manter a aposentada de 64 anos em cárcere privado por 7 anos

Márcio Apolinário, iG São Paulo |

A idosa de 64 anos encontrada presa em um porão de uma casa em Sorocaba, no interior de São Paulo, recebeu alta do Hospital Regional do município e está sob os cuidados de seu filho João Batista Groppo Junior, em Alumínio (SP). Segundo João, Sebastiana Aparecida Groppo, embora abatida, passa bem e está se alimentando. "Ela está muito bem, embora tenha passado todo esse tempo lá naquele porão, agora ela está aqui comigo e está sendo muito bem tratada", afirmou ao iG na tarde desta sexta-feira.

nullDe acordo com a delegada titular da Delegacia da Mulher de Sorocaba, Jaqueline Coutinho, o filho de Sebastiana sabia que a mãe era mantida no porão da casa do pai, porém nunca interferiu. Ainda segundo a delegada, a idosa, que estava no local havia 7 anos e não 16 anos como havia sido divulgado anteriormente, foi encontrada sobre uma cama de concreto, praticamente sem roupas. A falta de higiene causava mau cheiro no local. Na última quarta-feira o casal João Batista Groppo e Maria Aparecida Furquim foi preso acusado de manter a idosa em cárcere privado e maus-tratos.

A Polícia Civil vai ouvir a filha do casal Luana Furquim Groppo, de 19 anos, para saber detalhes sobre o convívio com a vítima. “É importante sabermos como era a rotina desta senhora e do casal que a matinha trancada lá embaixo. Quando a encontramos ela parecia um animal preso. Com um prato sujo próximo à grade que a separava do resto da casa. Agora queremos saber por que a filha não fez nada. Foi no mínimo omissão de socorro.”

Em conversa com o iG , Luana afirmou que Sebastiana não sofria maus-tratos e que a família nunca teve problemas com a idosa. “A convivência com a ex-mulher do meu pai sempre foi tranquila. Ela não dava trabalho algum, e nós gostávamos brincar com ela às vezes. Ela agia como criança, gostava de se maquiar e brincar de bonecas. A gente sempre se envolvia nas brincadeiras dela”, relata. A jovem argumenta que o casal fazia todas as vontades da aposentada. “Ela adora refrigerante e sorvete, e meu pai sempre manteve a geladeira cheia de sorvete para ela. Nunca faltou. Mas se deixasse ela comia tudo em um dia só.”

Divulgação
Idosa foi mantida presa em um porão por aproximadamente sete anos
Para a delegada, o fato de atenderem algumas das vontades de Sebastiana não configura bons-tratos. “Não é porque não batiam nela que ela era bem tratada. Essa senhora teve muita sorte de não ter sofrido um acidente trancada ali naquele cubículo. Dadas as condições mentais, ela poderia muito bem ter se enforcado com um dos fios ou até mesmo ter colocado um deles na tomada com o corpo molhado. Não podiam tê-la deixado nessa situação. Quem fez essa denúncia anônima, fez um bem à humanidade.”

As principais desconfianças da família são que a vizinha Glaucia Cristina Falchi tenha feito a denúncia anônima, motivada por uma briga com João Batista Groppo. “A Glaucia queria alugar a casa que fica entre a nossa e a dela, para que seus familiares viessem morar ali. Mas meu pai é o proprietário e não quer alugar para nenhuma família. Ele acha que teria muita bagunça. A Glaucia não gostou e como sabia que a Sebastiana morava ali no porão foi lá e denunciou por vingança. Inclusive quando meus pais foram presos ela estava na rua dando risada”, acusou Luana.

Procurada pela reportagem, Glaucia afirmou que não teria motivos para fazer a denúncia e que nunca teve problemas com a família. “Eu sabia que a Sebastiana era mantida lá embaixo. Todos da rua sabiam. Pelo pouco que vi do contato da família com ela, eles a tratavam muito bem.”

A dona de casa Rosana Aparecida Simões, de 45 anos, vizinha do casal preso também os defende. “Eles a tratavam muito bem. Estão divulgando maus-tratos porque ela era mantida trancada, mas eu compreendo isso. A minha avó sofre de Alzheimer, a mesma doença da dona Sebastiana, e é complicadíssimo deixarmos ela sozinha, imagina então solta.”

Segundo a delegada Jaqueline, o acusado alegou em depoimento que não teria condições financeiras de manter a ex-mulher em uma clínica especializada. “Ele afirmou que já tentou algumas vezes com a prefeitura, porém, a infraestrutura apresentada pela administração pública não preencheriam as necessidades da idosa. Mas agora eu me pergunto: mantendo ela no porão é melhor?”

O casal responderá por cárcere privado e maus-tratos. João segue detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Sorocaba, enquanto Maria Furquim está presa na cadeia feminina de Votorantim.

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