Guarujá-SP pedirá ao IBGE revisão de dado populacional

Dados mostram que o município perdeu 1,6% de seus moradores nos últimos dez anos, passando de 264 mil habitantes para 260 mil

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A Prefeitura do Guarujá, no litoral paulista, vai pedir ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) uma revisão dos dados do censo populacional. Dados preliminares da pesquisa mostram que o município perdeu 1,6% de seus moradores nos últimos dez anos, passando de 264.812 habitantes em 2000, para 260.477 esse ano. "A nossa sensação é que mesmo faltando 15% das pessoas para serem entrevistadas, esse número não corresponde à realidade", afirma a prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB), que pedirá para analisar detalhadamente o trabalho do IBGE.

Antonieta acredita que os recenseadores podem ter deixado de visitar parte das residências "subnormais" da cidade. "Queremos comparar os dados deles com nossos cadastros da população que mora nos morros, em palafitas, nas favelas", afirmando que sua própria casa, no bairro de Morrinhos, não recebeu a visita do Censo. "Na minha casa eles não foram, e ficam o meu pai e a minha mãe o dia inteiro lá", explica.

A prefeitura calcula que Guarujá tenha aproximadamente 308 mil habitantes, número 18% inferior ao da população divulgada previamente pelo Censo, quando 85% dos moradores do município teoricamente já teriam sido recenseados. "Só de eleitores temos 211 mil, por isso acredito que não tenhamos só 260 mil, temos muitas crianças e jovens. Sabemos disso por causa da demanda por educação e saúde", explica a prefeita. Ela espera que o número seja revisado antes da conclusão do Censo para que a cidade não perca orçamento com o repasse de recursos.

Desde ontem, a prefeitura está incentivando as pessoas a agendarem a visita do recenseador. Para estimular a população a responder ao Censo, o Diário Oficial tem divulgado que Guarujá poderá receber menos recursos caso deixe de ser considerado um município médio.

Santos

Em Santos, o único outro município da Baixada Santista que apresentou redução da população pelo Censo, a prefeitura vai decidir se pedirá ou não revisão da pesquisa apenas quando os dados forem concluídos. Preliminarmente, a cidade perdeu 10 mil habitantes nos últimos dez anos, passando de 417.983 mil em 2000 para 407.506 habitantes, isso com 97% da população recenseada.

No entanto, o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), já demonstra preocupação com a provável diminuição no repasse de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). "Santos é cidade polo da região metropolitana da Baixada Santista. Já tem uma defasagem gigantesca em relação às vagas, aquilo que a cidade recebe de contribuição para saúde é um recurso que vem caindo proporcionalmente ano a ano. A cada ano, aumenta a participação do município no financiamento da saúde e diminui do governo federal. E a metodologia que o governo federal usa está associada aos dados do censo do IBGE", disse, informando que o problema dos recursos não se resume aos repasses do Fundo de Participação dos Municípios.

"O fundo de participação dos municípios tem maior peso em municípios menores, com receitas próprias pequenas, não é o caso de Santos", completando que os hospitais de Santos acabam atendendo pacientes de toda a Baixada. Segundo o próprio Censo, a população somada dos nove municípios cresceu 7,6%, passando de 1.476.820 habitantes para 1.589.460, considerando 96% da população recenseada.

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