Greve no Serviço Funerário cancela enterros em São Paulo

Nos cemitérios, faxineiros e servidores da área administrativa ajudaram nos sepultamentos pela segunda vez no ano

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Pela segunda vez no ano , os 1.366 funcionários do Serviço Funerário de São Paulo entraram em greve na terça-feira (30), levando a prefeitura a deslocar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) para o transporte dos corpos até os cemitérios. A fila para a liberação dos cadáveres cresceu ao longo do dia, assim como o sentimento de revolta entre familiares. Enterros precisaram ser cancelados e a paralisação continua nesta quarta.

Nos cemitérios, faxineiros e servidores da área administrativa ajudaram nos sepultamentos. Mesmo assim, o transporte de corpos demorava horas. Um exemplo foi o do encarregado de obras Diego Alves de Farias, de 23 anos, que à tarde ainda esperava o envio do corpo do pai - morto na madrugada de segunda (29) - para o Cemitério da Vila Alpina. "Acho que vou ter de desmarcar o velório, mesmo com a família esperando." À noite, ele conseguiu liberar o corpo do pai.

Enquanto isso, o aposentado José Inhesta Martim, de 85 anos, que perdeu a mulher, de 86, anteontem, não tinha perspectiva. "Não deram prazo. Não apareceu ninguém nem para pegar a roupa que ela usará no caixão." A demora se dava principalmente porque eram os agentes da GCM os responsáveis por transportar os corpos desde o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) até os cemitérios.

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Mulher passa mal no IML de São Paulo, após mais de 12 horas de espera para a liberação de corpo de familiar

Os guardas ainda tinham de buscar os mortos nos hospitais e centros médicos, dirigindo os carros do próprio Serviço Funerário. "Não estamos acostumados com isso", admitiu um dos agentes. Segundo ele, 70 homens foram deslocados somente para esse serviço. O número não foi confirmado pela prefeitura. Outro GCM ressaltou que deixou de fazer sua ronda habitual em bairros da zona norte por causa da greve na autarquia municipal. "Ficamos desguarnecidos." 

Negociação

Os funcionários do Serviço Funerário exigem um reajuste de 39,79%, referente ao período entre 2004 e 2010, além de plano de carreira e melhores condições de trabalho. "Nossa pauta de reivindicações foi entregue em fevereiro e até agora não responderam nada", afirma Irene Batista de Paula, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo (Sindsep). Ela diz que houve uma reunião com a prefeitura quarta à tarde, mas nenhum secretário apareceu.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que "considera inadmissível e repudia a paralisação, que é considerada ilegal pela Justiça, por tratar-se de serviço essencial à população". O governo ainda alega sempre ter mantido o diálogo com os representantes dos servidores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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