Futurecom 2011: São Paulo lidera entre cidades com alto uso de tecnologia na segurança

Além de planejar a instalação de tablets em todas viaturas, Polícia Militar quer tornar mais rápido acesso aos dados armazenados no data center por meio da internet

Claudia Tozetto, iG São Paulo |

A Polícia Militar de São Paulo é a mais avançada quando o assunto é o uso de tecnologia na prevenção e investigação de crimes, segundo especialistas em segurança em debate durante a Futurecom 2011, feira e congresso de tecnologia e telecomunicações, realizado em São Paulo (SP).

Atualmente, 4 mil viaturas que patrulham a capital e região metropolitana já acessam dados da Polícia Militar por meio de tablets semelhantes ao iPad, mas fabricados no Brasil. Até o final do ano todas as 11 mil viaturas da Polícia Militar terão o equipamento instalado.

Segundo Alfredo Deak Júnior, coronel responsável pela área de tecnologia da Polícia Militar, o maior desafio, após a instalação dos tablets nas viaturas, é garantir o acesso aos dados de bancos de dados da Polícia Militar, armazenados em um centro de dados do governo, como registros de boletins de ocorrência, fotos de suspeitos e pessoas com prisão preventiva decretada, entre outros. “Não dá para armazenar dados sigilosos de segurança em um computador que pode ser roubado”, disse Deak durante palestra na Futurecom.

A solução encontrada pela equipe de tecnologia da PM, segundo o coronel, é investir em comunicação de dados mais rápida e em processar as informações na nuvem. “Não adianta ter bancos de dados de fotos de suspeitos ou de placas de carros roubados se a consulta por meio da internet demorar 10 minutos para ser concluída”, disse Deak.

No sistema ideal, o policial precisa enviar uma foto de um suspeito por meio do tablet, que será comparada pelo sistema com as 2 milhões de fotos de suspeitos existentes no banco de dados da PM, e devolverá um parecer ao policial. “Para a tecnologia servir, tudo isso precisa acontecer em 0,8 segundo”, afirmou.

Tecnologia existe, mas precisa ser adaptada

Câmeras de segurança monitoram as regiões com maior número de crimes na cidade e alertam a viatura mais próxima em caso de atividade suspeita. Passageiros que chegam ao aeroporto têm seus rostos digitalizados por câmeras com tecnologia de reconhecimento de faces que avisa a polícia em caso de suspeitos de imigração ilegal. Toda esta tecnologia para segurança já existe, dizem os fabricantes presentes na Futurecom 2011, mas poucos governos investem. “Muita coisa precisa ser adaptada para uso em órgãos públicos”, disse Deak.

Para Maurício Vergani, diretor de grandes contas corporativas da Oi, num futuro próximo várias cidades poderão usar a videovigilância para identificar delitos antes mesmo de eles acontecerem. Uma das tecnologias que permitirá isso será a 4G ou LTE (Long Term Revolution), a próxima geração da telefonia celular, que permitirá transmissão de dados por meio de dispositivos móveis a uma velocidade 180 vezes mais rápida que a atual. Diversas operadoras fazem testes da nova rede, que deve estar disponível no País até a Copa do Mundo em 2014.

Segundo Deak, a LTE é uma das tecnologias que a PM está testando para ajudar a acelerar a comunicação de dados entre viaturas e o centro de comando da polícia, em São Paulo. O órgão já implementou uma rede privada, ainda em fase de testes, em conjunto com três fabricantes de equipamentos para redes. No entanto, ainda depende de liberação da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) para operar a rede.

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