Franco da Rocha fica embaixo d´água e moradores usam bote

Comporta de represa é aberta e cidade fica inundada. Comércio e serviços públicos continuam parados

Heloisa Ferreira, iG São Paulo | 12/01/2011 09:14 - Atualizada às 17:33

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Foto: Futura Press

Moradores só conseguem se deslocar de bote pela cidade de Franco da Rocha

A cidade de Franco da Rocha, a cerca de 40 km da capital paulista, continua embaixo d´água e isolada nesta quarta-feira, após as fortes chuvas registradas na madrugada de terça-feira. Diversos bairros do centro da cidade estão totalmente alagados e alguns dos moradores que se arriscavam a sair de casa precisaram utilizar botes. De acordo com a Defesa Civil, as duas entradas para a cidade - por Mairiporã e por Caieiras - estão inacessíveis.

Equipe da TViG registra imagens de Franco da Rocha sob as águas

O prefeito Márcio Cecchettini (PSDB) informou, no início da tarde, que decretaria situação de emergência no município por causa dos alagamentos. A solicitação – que permite à Prefeitura o acesso a recursos federais e estaduais para reparar mais rapidamente os estragos provocados pelas chuvas – só não havia sido encaminhada às autoridades pela manhã porque o gabinete do prefeito estava tomado pelas águas. O decretado só foi assinado às 17h, e agora segue para homologação do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Por volta das 12h30, o prédio da Prefeitura ainda tinha água até a altura das janelas, e o gabinete do prefeito teve de ser transferido temporariamente para uma escola municipal.

Na madrugada de terça-feira, a Represa Paiva Castro não pôde conter a cheia do rio Juqueri e transbordou. O nível da água atingiu cerca de 88 centímetros, segundo o coordenador da Defesa Civil municipal, Donizete Bernardo. Pelo menos 35 famílias ficaram ilhadas e foram retiradas com ajuda dos bombeiros. 

O prefeito de Franco da Rocha disse ao iG que não dorme há duas noites, desde que foi informado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que as comportas da represa, sob risco de rompimento, seriam abertas - a companhia diz que a abertura das comportas é feita gradualmente, obedecendo ao nível de segurança máximo para evitar efeitos ainda piores.

“Não sou técnico para dizer se era o melhor a fazer. Mas, mesmo se não abrissem, o que se dizia é que iria sair água pelo ladrão de qualquer jeito. Agora a água está no nível que está, mas disseram que vai baixar”, disse o prefeito, segundo quem “pouca gente foi afetada” diante do "tamanho dos estragos".

O funcionamento dos hospitais da cidade, por exemplo, praticamente não foi afetado, segundo o prefeito. No presídio feminino do município, apenas a entrada foi afetada, mas a água não chegou a atingir o local, de acordo com Cecchettini.

Ele afirmou que as características geográficas da cidade, que fica num vale, devem ser levadas em conta para que sejam explicados os estragos das chuvas. No alto da cidade, por exemplo, poucas casas foram afetadas. Os estragos foram concentrados na parte baixa do município, onde fica a sede da Prefeitura e o bairro Vilinha - onde casas e estabelecimentos comerciais ficaram totalmente alagados.

O prefeito disse que ainda não é possível mensurar os prejuízos, mas fez um apelo para que o governo federal “olhe” para a situação da cidade.

Cecchettini evitou atribuir a culpa pelo agravamento da situação a um eventual descaso do poder público. “A culpa é de todo mundo, desde a população que deixa lixo na frente de casa. (A culpa) É do prefeito, da cidade, da população, da Sabesp, de todo mundo. Se todo mundo cuidasse da porta da sua casa, a cidade seria melhor”.

Clima

Apesar dos estragos, moradores de Franco da Rocha que observavam a situação pela manhã não se mostravam surpresos com o que viam. Pareciam observar um filme que se repete a cada ano – mas, desta vez, em condições mais graves.

“Desde criança eu brinco na água da enchente”, conta o estoquista Anderson Húngaro, que, isolado, está a dois dias sem conseguir chegar ao local onde trabalha, em São Paulo.

Também morador da cidade, o encarregado de manutenção Pablo Ortiz diz esta é a primeira vez que vê a situação das águas chegar a este ponto. Morador da parte alta da cidade, ele conta que conseguiu passar praticamente imune aos estragos, mas lamenta que muitos conhecidos não conseguem sequer sair de casa.



Alertas

De acordo com a Guarda Municipal, que está de plantão para atender os eventuais chamados, a população que mora no centro já foi avisada com antecedência que precisaria deixar o local.

O município tem 131.603 habitantes, segundo o IBGE, e, até o momento, não foram resgitrados casos de desabamento ou deslizamento de terra. Também não há registro de feridos.

A Polícia Rodoviária alerta moradores e familiares de cidades vizinhas a não tentar chegar a Franco da Rocha por conta dos alagamentos.

Transporte

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) informou que, por causa dos alagamentos, a circulação de trens foi interrompida no trecho entre Caieiras e Franco da Rocha, na Linha 7-Rubi, que liga a Estação da Luz à Estação Morato Coelho. Foi acionado o Plano Paese, de oferta gratuita de transporte com ônibus, mas na região central esses veículos também não conseguem rodar.

São Paulo

A chuva da madrugada desta quarta-feira novamente provocou transtornos na capital paulista, que amanheceu com 16 pontos de alagamento. Porém, como não choveu mais durante a manhã e o sol apareceu, por volta das 9h, o número de alagamentos já havia diminuido para seis, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Apenas um deles, na rua Prado Newton, altura da rua Jaraguá, no Leme, está intransitável. Treze pessoas morreram por conta do temporal de terça-feira.

*Com informações do iG São Paulo e Agência Brasil

Foto: AE

Ônibus fica quase que totalmente submerso. Água atingiu quase 2 metros nas ruas da cidade

 

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