Fotos de vítimas podem definir investigação sobre queda de balões

Segundo a polícia, cartões de memória das câmeras foram encontrados e podem revelar as condições climáticas da hora do passeio

Carina Martins, enviada a Boituva (SP) |

Jornal Primeira Impressão
Três pessoas morreram na queda em Boituva
A polícia encontrou três cartões de memória de câmeras usadas pelas vítimas durante o passeio de balão que terminou em tragédia no sábado (30) na cidade de Boituva (SP). Os arquivos captados pelas câmeras fotográficas e filmadoras só serão revelados após os cartões serem enviados para perícia na semana que vem. Mas, de acordo com o delegado Silvan Renosto, as imagens podem ter papel importante para determinar as condições climáticas na hora da decolagem, já que a mudança repentina do tempo é a hipótese principal até agora.

O piloto Antonio Carlos Giusti e o casal Franklin e Daniela Ciarollo morreram em conseqüência da queda de um dos balões. Os outros seis passageiros que estavam com eles, mais os dez que ocupavam o segundo balão, tiveram ferimentos e estão internados em hospitais de São Paulo. Foi o primeiro acidente de balão com mortes já registrado no Brasil, e um dos poucos do mundo.

Uma perícia realizada pela polícia em conjunto com bombeiros, guarda civil e representantes da Confederação Brasileira de Balonismo foi realizada ainda no sábado, e deve produzir dois laudos para cada um dos dois balões envolvidos em quedas. Há relatos do pouso forçado de um terceiro balão no mesmo dia, sem feridos. Como não houve vítimas, nenhum boletim de ocorrência foi registrado.

Como foi o acidente

De acordo com o boletim de ocorrência, o primeiro balão bateu duas vezes antes de cair definitivamente. Na primeira, chocou-se contra uma casa do condomínio Vitasay. Com o impacto, o piloto bateu a cabeça e perdeu os sentidos na hora. O balão voltou a subir e, logo depois, bateu na rede elétrica, derrubando Daniela do cesto. O marido de Daniela, Franklin, morreu na terceira e última queda, no quintal de uma casa a poucos quilômetros dali. O segundo balão fez um trajeto similar. O piloto teria tentado fazer um pouso forçado e acabou caindo nos fundos do condomínio. Ninguém morreu.

Oito balões haviam decolado do Centro de Paraquedismo da cidade. Segundo funcionários do local, pelo menos dois deixaram de realizar passeios programados naquele dia, o que segundo eles é um procedimento comum e não teria necessariamente relação com a decisão de voar de outros pilotos, graças às diferenças de tamanho e exigências climáticas de cada aparelho.

Dia seguinte

Neste domingo, nenhuma equipe de balonismo esteve no Centro de Paraquedismo. As outras atividades realizadas no lugar continuaram normalmente. Muitas famílias passaram o dia de sol no lugar. Emerson Moraes, assessor de imprensa da Skydive Boituva, uma das empresas que opera no local, disse que não houve cancelamento de saltos por parte de clientes assustados com o acidente. “Na verdade, algumas pessoas que voariam de balão e que não poderiam mais depois da queda trocaram o passeio por saltos de paraquedas”, diz. Apesar de reforçar que as duas modalidades não têm relação e apenas dividem a área de pouso da Prefeitura, Emerson diz que “todos ficaram muito tristes com a tragédia, por causa das vítimas e também porque o balonismo é uma prática tão segura quando o paraquedismo”.

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