Foragido, vigia do caso Mércia não acompanha gravidez da mulher

Evandro Bezerra Silva é tido pela polícia como comparsa de Mizael Bispo na morte de Mércia Nakashima e já foi preso uma vez

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Considerado comparsa do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza no assassinato da advogada Mércia Nakashima, o vigia Evandro Bezerra Silva está foragido desde o dia 7 de janeiro, dia em que a Justiça decretou a prisão dos dois e decidiu que eles irão a júri popular.

AE
Para a polícia, vigia Evandro Bezerra Silva buscou Mizael na represa de Nazaré Paulista, após ele matar a ex-namorada
Ainda que esteja escondido, o advogado de Evandro, José Carlos da Silva, defende que seu cliente não é foragido. “Ele não vai se entregar e nem ficar em endereços conhecidos, mas não quer dizer que fugiu. Ele é uma pessoa que não se apresentou à prisão porque entende que ela foi decretada ilegalmente”, considera.

Evandro já ficou preso uma vez por cerca de um mês e teve a prisão revogada pela desembargadora do TJ Angélica de Almeida. A defesa alega que as argumentações para este novo pedido de prisão não se referem a ele. “A possível ameaça aos parentes das vítimas, o fato de que o autor de homicídio lavou sapatos, tentou forjar prova, que estaria com prostituta. Tudo isso não tem nada a ver com Evandro”, diz Silva.

Evandro, que tem três filhos de um primeiro casamento, deve ser pai novamente. “A atual companheira dele está grávida e ele não pode acompanhar a gestação”, conta Silva, sobre uma das privações vividas atualmente pelo vigia, que mora afastado da família.

Onde ele está, o advogado diz não saber “e nem querer”, mas garante que não é no Nordeste, como alguns veículos de imprensa noticiaram. “Ele estaria entrando numa gaiola, como iria enfrentar estrada, ônibus para chegar até lá?”, diz o advogado, que conta também que a polícia já chegou a vasculhar sua própria casa quando foi decretada a prisão do cliente.

Quando se falam, afirma que a ligação parte sempre de Evandro. “Ele me liga de telefones públicos e não fala nada que possa comprometê-lo. É provável que meu número esteja grampeado”, afirma. As perguntas feitas por Evandro nestes contatos, diz ele, são sempre as mesmas: sobre a situação do recurso que pede o revogamento de sua prisão. O Tribunal de Justiça negou a liminar de um habeas corpus impetrado pela defesa, mas deve julgar o mérito nas próximas semanas.

“Falo para ele que só estou esperando. Se a Justiça irá ou não acolher o habeas corpus não dá para adiantar, mas que se não acreditasse nisso não teria nem entrado com o recurso”.

O caso

Evandro é acusado de homicídio duplamente qualificado (emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima). Para o Ministério Público, não foi Evandro quem matou Mércia, mas ele sabia das intenções de Mizael e teria ido buscá-lo na represa de Nazaré Paulista, interior do Estado, após o crime. Em depoimento ao delegado Antonio Olim, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), em Sergipe, em julho de 2010, ele confessou ter ido buscar Mizael. Depois, negou participação e disse que foi torturado.

Mércia foi vista pela última vez no dia 23 de maio, na casa da avó, em Guarulhos, Grande SP. Depois que saiu de lá, não fez mais contato. No dia 10 de junho, homens do Corpo de Bombeiro localizaram o veículo da vítima na represa de Nazaré Paulista. Um dia depois, o corpo dela foi localizado no mesmo local.

Laudo aponta que Mércia morreu afogada após ter sido ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, a vítima ainda foi atingida no rosto por um outro objeto contundente que a perícia não soube precisar qual foi.

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