Foi uma violência brutal e gratuita, dizem familiares de idosa

Festa de casamento em Santo André, no ABC paulista, acaba em morte após discussão sobre furto de moedas

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Sob muita comoção, foi enterrado na tarde desta segunda-feira o corpo da aposentada Rosa Maria Leite Alves, de 56 anos, no Cemitério de Itaquera, zona leste de São Paulo. Ela foi atropelada e morta na madrugada de domingo após participar da festa de casamento da sobrinha Ana Paula Moraes Giusti, de 28 anos, com o analista de sistemas Rafael Vinícius Giusti, de 31 anos. Intencionalmente, o suspeito, segundo familiares, utilizou o carro do próprio filho da vítima para atropelá-la .

A comemoração do casamento ocorreu em um bufê na cidade de Santo André, no ABC paulista, onde também acontecia outra festa de casamento. Segundo familiares de Rosa, na saída, o filho dela, Leonardo Alves, foi questionar os manobristas do local sobre o sumiço de dinheiro de dentro do seu veículo. Neste momento, o noivo da festa ao lado, identificado pela polícia como Luiz Fernando Cerqueira, de 29 anos – ainda por motivos não totalmente esclarecidos pela polícia – teria começado a agressão.

Lectícia Maggi, iG São Paulo
Filha emociona-se no enterro da mãe, morta após casamento em Santo André, no ABC paulista
“Eu vi que estava faltando moeda no meu carro e falei para o meu marido avisar o Leonardo para ele ver se no carro dele estava tudo ok. Meu irmão, com toda educação, falou para o rapaz do bufê que estava faltando dinheiro. O noivo da outra festa, não sei por qual motivo, falou: ‘Você está achando que aqui tem bandido?’ e já deu uma cabeçada nele”, conta Daniela Florentino Alves, de 33 anos, filha de Rosa.

Com voz baixa e emocionado, o marido da vítima, Nilson Florentino Alves, de 56 anos, conta ao iG, que tentou ajudar o filho, quando também foi espancado. “Eu o vi sendo agredido e desci do carro, minha mulher também desceu e aí vieram uns cinco ou seis para cima. Ele (noivo) puxou o carro do meu filho para a frente e deu ré”, diz ele, que leva no rosto as as marcas da violência: o olho direito roxo e diversos hematomas.

Em choque, Daniela diz que a família ainda procura explicações para o que houve. “A gente não sabe por que o cidadão fez tudo isso. Não satisfeito em atropelar minha mãe, ele desceu do carro e a chutou diversas vezes no chão”, afirma.

Uma sobrinha de Rosa, que é enfermeira, tentou socorrê-la. Marcelo Florentino, também sobrinho, foi quem ligou para o resgate e afirma que a tia estava muito machucada, principalmente na cabeça. “Eu vi uma pessoa caída no chão e nem percebi que era minha tia, de tão irreconhecível. Quando fui ver se estava respirando, que identifiquei”. Segundo ele, os bombeiros tentaram reanimá-la por cerca de 1 horas, mas em vão.

De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), as testemunhas identificaram por foto Cerqueira como o autor do homicídio. Policiais foram até a casa dele e o encontraram dormindo. Ele foi levado para prestar depoimento e, segundo a polícia, inicialmente, disse não se lembrar de ter se envolvido na briga. Depois de conversar com advogado, confirmou a briga, mas negou ter atropelado Rosa. Ele foi preso e transferido para a cadeia pública de Santo André.

Festa de casamento

Rafael Giust guarda a imagem de Rosa alegre durante a festa de casamento. “A festa foi maravilhosa. Os convidados felizes, a tia Rosa feliz, brincando com o tio, rindo. Quando tinha acabado e estávamos nos despedindo dos últimos convidados que aconteceu isso.”

Ele, que deixou o bufê com a informação de que Rosa estava viva, só recebeu a confirmação da morte na tarde de domingo. Cancelou a lua-de-mel para Buenos Aires para ir ao enterro. “Foi uma briga gratuita. Fica a revolta e o pedido de justiça”. Marcelo Florentino resume o sentimento da família: “Não dá para entender a pessoa fazer isso num dia tão feliz. Estragou a vida dele e a da minha família”.

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