Filha estudou teatro e quer bens do pai, diz defesa de advogado

Responsável pelo caso de abuso sexual envolvendo o advogado Sandro Fernandes diz que filha "estudou teatro em uma renomada escola"

Kelli Franco, especial para o iG |

Wilian Olivato / Futura Press
O advogado Sandro Fernandes, acusado de abuso sexual contra os filhos

O criminalista Ricardo Ponzetto, responsável pela defesa do advogado e assessor sindical Sandro Fernandes, de 45 anos, afirmou que as denúncias de abuso sexual contra seu cliente fazem parte de uma armação da filha, interessada em ficar com os bens dos pais. 

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Ponzetto disse que a estudante de Direito, de 18 anos, tem interesse financeiro nos bens de Sandro. Ele diz ainda que o depoimento da garota, que fundamentou o pedido de prisão preventiva de Sandro e de sua mulher, Fernanda Fernandes , só foi convincente porque a garota “estudou teatro em uma renomada escola”. Ele afirma: “Há casos em que os filhos matam os pais por causa da herança e há outros casos em que acontece isso”.

Sandro é suspeito de atentado violento ao pudor por supostamente ter cometido abusos sexuais contra a filha, a sobrinha, a cunhada e o filho de 9 anos. A mulher de Sandro é suspeita de ter sido conivente com os abusos. Na semana passada, a Justiça determinou que Sandro e Fernanda não se aproximassem dos filhos .

Na sexta, a Justiça de Bauru decretou a prisão preventiva de Sandro e Fernanda. A decisão foi divulgada enquanto os dois depunham na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, cidade a 326 quilômetros de São Paulo. A decisão foi tomada pelo juiz Jaime Ferreira Menino, da Vara Criminal de Bauru. Fernanda vai para a Cadeia Feminina de Avaí e ele para a Cadeia Pública de Barra Bonita, onde estão mantidos separados dos outros presos. A defesa já recorreu da decisão. 

Como tudo começou

Wilian Olivato / Futura Press
A mulher de Sandro, Fernanda Fernandes

A filha de Sandro Fernandes relata que sofreu abusos sexuais dos 8 aos 16 anos. Atualmente, ela tem 18 anos. O mesmo aconteceu com a cunhada, que teria sofrido abusos quando tinha 10 anos. Hoje, ela também está com 18 anos. A terceira vítima, a sobrinha, teria sido abusada quando ia visitar os parentes em Bauru. A família dela mora em Curitiba e os abusos teriam acontecido quando ela tinha entre 9 e 10 anos. Atualmente, ela tem 13.

Quando Sandro viajou com a esposa em férias para a Europa, no final de agosto, a filha acabou contando para uma tia que era abusada pelo pai. Essa tia, mãe da menina de 13 anos, disse ter descoberto pouco tempo depois que a filha dela e a cunhada de Sandro também sofreram abusos. As duas meninas, já maiores de idade, decidiram, então, procurar a polícia, aproveitando a ausência do advogado.

No dia 1 de setembro foi registrado o boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, mas tudo foi mantido em sigilo. No último dia 26, as vítimas resolveram convocar a imprensa e dar detalhes dos fatos.

“Ele só me apalpava quando eu estava dormindo. Senão ele só se exibia”, conta a cunhada. “Eu pensava que era só comigo”, completa. Ainda segundo os relatos, em nenhum momento houve penetração com as vítimas.

Quem é Sandro Fernandes

Sandro Fernandes é advogado do Sinserm (Sindicato dos Servidores Municipais) há 14 anos e do Sindicato dos Bancários de Bauru e região há 20 anos. Foi filiado ao PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) até 2008. Ele deveria ter voltado ao trabalho no sindicato dos bancários na segunda-feira, mas ligou pedindo mais alguns dias de folga. Na segunda-feira, ele já tinha sido informado sobre as acusações. Ele alegou estar em São Paulo em compromissos.

Sandro foi candidato a prefeito em 2004 e a vereador em 2000 e em 2008. Em 2008, foi o nono candidato ao Legislativo mais votado em Bauru. Só não conseguiu a vaga na Câmara dos Vereadores porque a coligação dele não conseguiu o número mínimo de votos necessário. Sandro recebeu 2.519 votos com bandeiras como o combate à corrupção.

O advogado também é dono de um conceituado escritório de advocacia na cidade, além de já ter sido membro da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), subsede Bauru. O atual presidente da comissão, Gilberto Truijo, afirmou estar chocado com as acusações. A maioria das pessoas ligadas a Sandro prefere ter cautela e torcer para que as acusações não sejam verdadeiras.

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