Família de motoboy morto por PMs será indenizada

Grupo de trabalho tem prazo de 30 dias contados a partir da designação de seus membros para propor valores da indenização

iG São Paulo |

AE
Maria Aparecida de Oliveira Menezes chora durante a missa de sétimo dia do filho, o motoboy Alexandre Menezes dos Santos, nesta quinta-feira em São Paulo
O Governo do Estado vai indenizar a família do motoboy Alexandre Menezes dos Santos, morto no último dia 8 de maio, por quatro policiais militares do 22º BPM/M, em Cidade Ademar, na zona sul da capital. O governador Alberto Goldman assinou, na quinta-feira, o decreto que autoriza o pagamento de indenização à família da vítima.

Após o crime, os quatro policiais militares foram presos e estão no presídio da Polília Militar Romão Gomes. Eles são investigados em dois inquéritos policiais: um instaurado pela Polícia Civil, que pode culminar com a denúncia de homicídio doloso; e outro pela Polícia Militar, cujo desfecho pode ser a expulsão dos soldados do quadro da Corporação. O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, também determinou o afastamento dos comandantes do Batalhão e Companhia aos quais pertenciam os policiais militares que participaram do crime.

Pelo decreto publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira, um grupo de trabalho no âmbito da Procuradoria Geral do Estado será instituído para que, no prazo de trinta dias, contados a partir da designação de seus membros, seja feita a proposta de valores de indenização. Farão parte deste grupo de trabalho o procurador geral do Estado, que coordenará os trabalhos, dois procuradores, um representante da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, e outro da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.Governo autoriza indenização à família do motoboy morto.

Família

Em entrevista ao iG , a mãe de Alexandre, a vendedora Maria Aparecida de Oliveira Menezes, de 43 anos, disse que "implorava para [os policiais] pararem de bater" em seu filho. " Eu me ajoelhei , tentei pegar na mão deles (policiais) e implorava para pararem de bater no meu filho. Eles só diziam: 'fica quieta que você pode ser presa (...) Quando perguntei o motivo da agressão ao meu filho, o policial apenas respondeu: 'estava cumprindo o meu trabalho'. O trabalho deles era matar o meu filho".

Em depoimento, os PMs envolvidos no caso alegaram que Alexandre, ao ser abordado, entrou em luta corporal com os soldados , que pediram o reforço de mais dois homens.

Segundo informações do Boletim de Ocorrência (BO), um dos policials aplicou uma gravata no motoboy na tentativa de imobilizá-lo, mas ele teria conseguido se desvencilhar. Então, outro golpe foi dado. Alexandre perdeu os sentidos e desmaiou, morrendo pouco tempo depois.

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