Família acusa médico de operar joelho errado no litoral de SP

Jovem de 25 anos foi internada para operar o joelho direito, mais saiu com pinos no esquerdo. Família quer processar hospital

iG São Paulo |

A auxiliar de limpeza Tatiane Andrade da Silva, de 24 anos, foi internada, na última segunda-feira, no Hospital Santo Amaro, no Guarujá, litoral paulista, para operar o joelho direito. Contudo, 24h depois recebeu alta e deixou o local com pinos no joelho esquerdo.

A família da jovem diz que ela nunca apresentou problemas na perna esquerda e acusa o cirurgião que a atendeu de erro médico. "O raio-x feito antes deixa muito claro que ela não apresentava nenhuma lesão na patela (osso do joelho) esquerdo", afirma o advogado Carlos dos Santos Macário, que registrou Boletim de Ocorrência sobre a susposta negligência.

A dona de casa Valéria Andrade da Silva, de 41 anos, diz que a filha estava há cerca de um ano realizando tratamento para o joelho e passou três meses na fila de espera pela cirurgia. Na segunda-feira, entrou na sala de operações por volta das 9h e deixou o local pouco antes das 15h. "Ela foi para o setor de trauma e chamou meu genro para ver a perna dela, que estava queimando. Quando ele ergueu o cobertor, se desesperou e me chamou. Eu vi e fiquei sem ação. Esperei o médico, que estava na outra sala, e falei que era a perna direita que tinha problema e não a esquerda. Ele ficou assustado", conta a mãe. "Ele tinha relatório, laudo, exames tudo com ele", indigna-se.

Segundo ela, a filha "está muito nervosa" e passa o dia na cama, sem conseguir se locomover. "A perna direita incha quando ela faz esforço e agora ela também não pode pôr a esquerda no chão por causa da cirurgia. Se você visse o tamanho do parafuso que colocaram, ficaria assustada", afirma.

Valéria ressalta ainda que a rotina de toda a família foi alterada por conta do erro cometido contra a filha, que precisa de ajuda para realizar as tarefas mais básicas. Para tomar banho é preciso utilizar-se de uma cadeira para deficientes.

Tatiane realizou o procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas, segundo o advogado, a família foi procurada pelo médico solicitando que fossem até a clínica particular dele. "Para mim, ele está assumindo o erro", afirma ele.

Macário afirma que irá solicitar ao hospital que instaure uma sindicância interna "para apurar profundamente o caso e esclarecer  os motivos que levaram a esse erro gravíssimo". "Vamos entrar também com ação indenizatória", adianta.

Procurada, a assessoria do Hospital Santo Amaro disse que, a princípio, o médico alega que ela teria necessidade de operar os dois joelhos. Contudo, o hospital afirma que está aguardando um posicionamento da diretoria médica para se pronunciar sobre o caso.

Erros médicos

No último dia 7 de março, uma menina de apenas 16 dias teve a perna direita amputada após ter sofrido uma queimadura com um bisturi elétrico durante uma cirurgia no Instituto Fernandes Figueira (IFF), no Flamengo, Rio de Janeiro.

Kamyle Vitória do Nascimento estava sendo operada para a implantação de uma válvula de drenagem para amenizar os efeitos da hidrocefalia - acúmulo de líquido no cérebro. Contudo, durante a cirurgia uma placa do bisturi elétrico foi apoiada sobre a perna da criança e lhe causou uma grave queimadura, que comprometeu a circulação sanguínea.

Em São Paulo, no início de fevereiro, uma auxiliar de enfermagem foi indiciada por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) após aplicar vaselina líquida ao invés de soro na veia da menina Stéphanie dos Santos Teixeira, de 12 anos. A criança foi levada ao Hospital São Luiz Gonzaga, na zona norte da capital, com vômitos e diarréia, sintomas de uma virose, e morreu por conta do erro.

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