EUA recomendam evitar viagens para litoral de SP

Alerta foi dado após onda de violência na região. Secretaria de Segurança Pública diz que "situação está sob controle"

iG São Paulo |

O governo dos Estados Unidos recomendou a seus cidadãos que "evitem viajar" para o litoral Sul de São Paulo devido à onda de violência que atinge a região. A recomendação é baseada em informações coletadas pelo Consulado dos Estados Unidos sobre a série de mortes registradas na semana passada.

Em três dias no Guarujá, seis pessoas foram assassinadas em Vicente Carvalho. Desde 18 de abril, foram 13 mortes, segundo informações da polícia. O alerta vale para Guarujá, Santos, São Vicente e Praia Grande, onde, de acordo com o Consulado, tem sido registrados "incidentes continuados". "Policiais locais estão entre as vítimas, no que parece ser uma atividade de gangue", afirma, ainda, a nota. "O Departamento de Estado continua a monitorar as condições de segurança no exterior e, como sempre, irá prontamente disseminar informações afetando a segurança dos americanos no exterior através de seu programa de informação consular."

O comunicado do Conselho Assessor de Segurança no Exterior (Osac), órgão ligado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, é distribuído a todos os cadastrados, inclusive agências de viagens.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que s situação "está sob controle". Segundo a nota, "desde o dia 19 de abril, o policiamento na Baixada Santista foi reforçado com aumento do efetivo local e a chegada de tropas especializadas. Qualquer cidadão que deseje, pode visitar normalmente as cidades do litoral paulista".

A última vez que um alerta nesse sentido foi feito, em relação a São Paulo, foi após a segunda onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), em 2006.

Onda de violência

A onda de violência teve início às 18h45 de domingo, 21 de abril, com o assassinato do policial militar da Força Tática Paulo Raphael Ferreira Pires, de 27 anos, que estava de folga. Ele foi morto com dez tiros de fuzil disparados por dois motoqueiros que cercaram seu carro em um semáforo no distrito de Vicente de Carvalho, periferia do Guarujá. A partir daí, ocorreu uma sequência de cinco homicídios e uma tentativa até a madrugada de segunda-feira. Todas vítimas eram homens, maiores de idade e estavam em Vicente de Carvalho. Apenas uma delas tinha passagem pela polícia.

O delegado titular do 2º Distrito Policial de Vicente de Carvalho, Josias Teixeira de Souza, acredita que tanto os homicídios como os boatos de toque de recolher estão relacionados. Segundo ele, em um primeiro momento, a polícia trabalhou com a hipótese de que os crimes teriam sido praticados por um grupo de extermínio, que estaria agindo para vingar a morte do PM, porém a Polícia Civil agora acredita que os crimes tenham sido praticados por uma facção criminosa.

"O modus operante é completamente diferente (do utilizado por grupos de extermínio). O crime organizado está fazendo isso porque é uma guerra. Em uma guerra, cada exército usa as suas técnicas de guerra. A polícia usa a técnica dela, que é esclarecer, ir lá e prender. Eles usam o terror", disse o delegado, que trabalha com a hipótese de o PCC estar se vingando da prisão de uma quadrilha de 10 elementos ocorrida em março, que seria comandada por um "diretor" da facção.

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