Estudantes presos na USP são indiciados e terão que pagar fiança

Alunos que ocuparam reitoria foram indiciados por crimes de desobediência, dano ao patrimônio público e crime ambiental

iG São Paulo |

Os 72 estudantes presos nesta terça-feira durante a operação de reintegração do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) terão que pagar um salário mínimo de fiança. O valor estava estipulado em R$ 1.050, mas foi reduzido. Todos foram presos em flagrante e indiciados por crimes de desobediência e dano ao patrimônio público. As prisões ocorreram pela manhã, quando policiais cumpriam a ordem judicial de reintegração. Os alunos

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Os alunos presos foram levados para a 91ª Delegacia de Polícia, na zona oeste da capital paulista. Os estudantes foram transportados em três ônibus da Polícia Militar (PM), nos quais permanecem detidos e saem em grupos para prestar depoimento . De acordo com o delegado Dejair Rodrigues, até às 16h, pelo menos 25 dos detidos já haviam sido ouvidos.

Além do depoimento, a polícia apresentou um questionário com 12 perguntas sobre a ocupação da universidade. Nenhum dos alunos ouvidos até agora respondeu a essas perguntas.

Segundo advogada da central sindical Comlutas, Eliana Lúcia Ferreira, o valor de um salário mínimo para a fiança ainda é equivocado, distorcido e arbitrário, uma vez que são estudantes. A fiança de alguns alunos já foi paga, mas eles aguardam para serem liberados todos juntos. O estudantes seguem divididos em dois ônibus, um para os homens e outro para as mulheres.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), após retirar os estudantes, a polícia fez uma primeira vistoria no local. Havia pichações nas paredes, tinta e materiais de escritório jogados no chão, garrafas de bebidas, rojões e fios elétricos espalhados. No 1º andar do edifício, a Polícia Militar apreendeu sete garrafas de coquetel molotov. Logo na entrada, um dos motores elétricos que abrem o portão de acesso ao prédio da reitoria estava arremessado no chão, junto com várias cadeiras, papéis e material de escritório. A perícia será feita ainda hoje, para a avaliação completa de danos ao patrimônio.

Desde o dia 2 , os estudantes estavam acampados no prédio principal da reitoria da USP. Primeiramente foi divulgado que seriam 70 estudantes presos, mas a polícia corrigiu o número para 73. Do grupo, dez alunos foram detidos por depredarem uma viatura da PM, na parte de fora do prédio da reitoria.

O diretor do sindicato dos trabalhadores da USP, Domênico Colacicco, disse que, inicialmente, os estudantes ficaram presos sem água, sem poder ir ao banheiro e não tinham autorização para se comunicarem externamente. De acordo com eles, os aparelhos celulares dos alunos foram retirados. “Isso é um absurdo”, resumiu. A polícia informou que os alunos já recebem água e estão em contato com outros estudantes.

Durante a tarde, a mãe de uma dos alunos foi encaminhada para dentro da delegacia após ter, segundo a polícia, ofendido um dos policiais. Mesmo dentro dos ônibus, os estudantes protestam contra a ação policial.

Em cerca de duas horas, a PM cumpriu a ordem judicial de reintegração de posse do prédio da universidade. Pela manhã, as chaves da reitoria foram entregues a um oficial de Justiça pelo comando da polícia. A operação começou por volta das 5h20 desta manhã envolvendo aproximadamente 400 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Veja fotos do processo de reintegração de posse:

* Com Agência Brasil

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