Estudantes da USP protestam na Avenida Paulista, em São Paulo

Contra a presença da Polícia Militar no câmpus, alunos percorreram via nos dois sentidos até chegarem ao Masp, onde realizaram ato

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

AE
Policiais acompanharam protesto na Avenida Paulista contra a presença da PM no câmpus da USP
Cinthia Rodrigues/iG
Trânsito totalmente interditado e policiais passam pela Paulista antes dos estudantes
Mais de mil estudantes da Universidade de São Paulo (USP) realizaram uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde desta quinta-feira, em protesto contra a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária, na zona oeste da cidade. Após percorrerem a via da Praça Oswaldo Cruz até a Avenida Consolação e retornarem no sentido Paraíso até o Masp bloqueando o trânsito, eles realizaram um ato que chamaram de "aula de democracia" no vão livre do museu.

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Para responder ao governador Geraldo Alckmin, que disse que os " alunos precisavam ter uma aula de democracia " após a reintegração de posse da reitoria da instituição, os manifestantes convidaram para o protesto intelectuais apoiadores do movimento contra o policiamento na universidade, mas a maioria deles não compareceu à marcha. Acabaram falando representantes de movimentos simpáticos à causa, sindicalistas e dois professores ligados ao movimento.

Durante toda a caminhada, apesar de dezenas de motos e viaturas policiais terem acompanhado os manifestantes, os PMs não os obrigaram a abrir uma pista para circulação de veículos – nem sequer pediram. Mesmo depois que o grupo chegou ao Masp e a maioria deles saiu da avenida, com poucos ainda ocupando a via de veículos, os policiais não os orientaram a deixarem os carros circularem. Houve um momento em que um PM foi advertido por um superior quando conversava com um aluno que estava ocupando sozinho uma faixa.

Os estudantes em greve desde a ação da Tropa de Choque para a reintegração de posse da reitoria gritavam durante o trajeto palavras de ordem como "Vem, vem, vem para a rua, vem. Fora a PM" e "Alckmin, a culpa é sua. A aula agora é na rua".

Cinthia Rodrigues/iG
Um dos símbolos da ocupação da reitoria, carrinho de compras abria a marcha dos estudantes
Rosa choque

Vários dos manifestantes vestiam roupas rosa e usavam pinturas no corpo da mesma cor, escolhida em alusão à Tropa de Choque. Eles próprios se chamam de integrantes da Tropa Rosa Choque, que ganhou força dentro do ônibus de detidos pela invasão da reitoria . Um dos símbolos da ocupação da reitoria da USP, carrinho de supermercado foi usado como abre-alas da marcha.

As amigas Angela Leite e Rosa André, ambas de 49 anos, circulavam pela avenida à tarde e sorriram em apoio à passeata dos estudantes. "A gente acha que precisa de PM, mas na idade deles eu faria a mesma coisa", disse Ângela. "Precisa ter segurança, afinal depois que tem estupro ou assassinato, vai culpar quem? Fuma escondido! Eu também fumo", complementou Rosa.

A maioria dos pedestres e motoristas, no entanto, teve reação menos bem humorada. Alexandre Silva, que parou em frente ao grupo para fotografar até parecia um apoiador, mas revelou o contrário. "É para colocar no Facebook xingando. Bando de baderneiro", afirmou.

Adesão cresceu

Muitos dos alunos que participaram nesta quinta não estão no movimento desde o início. Boa parte foi contra a invasão da reitoria e alguns até admitem que a Polícia Militar continue no câmpus, mas querem que o reitor João Grandino Rodas dialogue. "Sou contra o Rodas e acho que há meios de segurança alternativos. Mas aceito a polícia se a maioria quiser, desde que haja diálogo", disse a estudante de Direito, Joyce Jennie, 21 anos, que acompanhou as discussões e aderiu depois da passeata pacífica no centro de São Paulo há duas semanas. "A invasão foi uma atitude infantil e que nos fez perder apoio, mas a causa maior é importante."

AE
Manifestantes percorreram a Avenida Paulista nos dois sentidos sem deixar faixa para carros circularem

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