¿Estou com medo da polícia¿

Jovem que viu o assassinato do motoboy Alexandre Menezes diz que policiais não ligaram para a presença de outras pesssoas na rua

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Ele tem 21 anos, estatura mediana e olhos tristes. Na madrugada do último sábado estava na rua com outros quatro colegas quando viu o amigo de infância Alexandre Menezes dos Santos, de 25 anos, ser brutalmente assassinado em frente a casa em que morava. Policiais militares são acusados pelo crime.

O jovem, que agora é uma das testemunhas do homicídio, teme ser identificado. Ele contou ao iG que viu quando Santos passou de moto e foi seguido por policiais. Depois, espancado. “A mãe dele pedia pelo amor de Deus para eles pararem. A gente gritava. Tinha um carro parado dando farol alto, mas eles não quiseram saber”, afirma. “Mataram na frente da mãe e dos irmãos”.

Segundo ele, Santos nunca se envolveu com pessoas erradas e sempre trabalhou. Para ele, o amigo só não parou quando foi abordado por policiais por medo. “Acho que ele ficou com medo porque tinha acabado de comprar a moto e ela estava sem placa”, afirma. Agora, é ele quem diz estar com medo. “Tenho medo que a polícia venha fazer alguma coisa com a gente”.

A mãe de Santos, Maria Aparecida Menezes, 43 anos, também conversou com o iG e disse que viu o filho ser espancado por cerca de 30 minutos . Ela afirma que os policiais se mantiveram indiferentes aos seus apelos. “Eu me ajoelhei, tentei pegar na mão deles e implorava para pararem de bater no meu filho. Eles só diziam: 'fica quieta que você pode ser presa'. Eu chorava, gritava, chorava...”, disse.

A mulher de Santos, a promotora de vendas Flaviana Cosmo Oliveira, de 22 anos, tem um filho de três anos com o motoboy, e disse que o menino sabe apenas que "o pai foi para o céu”. Mas não quer acreditar. “Ele só fala que o pai está trabalhando”, conta ela, que pretende revelar a verdade quando o garoto estiver mais velho. “Quero que ele saiba que o pai dele não morreu armado, como vagabundo ou ladrão, morreu como mais um inocente”.

Investigação

O governador de São Paulo, Alberto Goldman, afirmou na segunda-feira que a morte do motoboy "é um fato inaceitável" que mostra o "despreparo" dos policiais. O governador se disse "absolutamente constrangido e revoltado" com o episódio.

"Trinta dias depois você tem um segundo caso, o qual mostra o despreparo daqueles PMs. Mostra uma atitude que é criminosa. Simplesmente dizer que aquilo é um homicídio culposo não. É homicídio doloso de responsabilidade total", disse ele, que prometeu investigação rigorosa do caso.

Diante da gravidade do caso, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, determinou o afastamento de dois comandantes do batalhão envolvidos na morte sob o argumento de que eles não tiveram o controle da tropa. Foram afastados o tenente-coronel Gerson Lima de Miranda, do 22º Batalhão, e o capitão Alexander Gomes Bento, da terceira companhia do 22º BPM. A secretaria determinou ainda abertura de processo administrativo para averiguar o crime de omissão.

Já o porta-voz da Polícia Militar, Marcelo Lacerda Soffner, disse em entrevista ao iG que a morte de Alexandre Santos é um caso isolado em meio ao aumento de óbitos em confrontos da PM registrado no Estado no último ano. Ele afirmou ainda que a PM lamenta “profundamente” o caso e está tomando as providências necessárias - os quatro policiais suspeitos foram presos em flagrante e estão à disposição da Justiça no presídio militar Romão Gomes.

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