Especialista questiona se Minhocão é prioridade

Cláudio Barbieri, doutor em Engenharia de Transportes da Poli-USP, diz que solução para Centro é cara, complexa e pode levar anos

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Para Cláudio Barbieri da Cunha, doutor em Engenharia de Transportes e professor da Escola Politécnica da USP, a intenção da Prefeitura de São Paulo de demolir o Minhocão após a eliminação das linhas de trem que hoje cortam o centro da cidade merece atenção da sociedade. Ele adianta, porém, que, mesmo se for implementado, o projeto só deve ser concluído num prazo entre dez e 15 anos. A questão do Elevado Costa e Silva, segundo o especialista, está inserido em um contexto mais complexo na região central.

Leandro Meireles Pinto, iG São Paulo
Minhocão foi construído em 1971

A lógica, diz ele, seria procurar alternativa para a ferrovia subterrânea e, no lugar dela, construir uma nova via que faria a função do Minhocão, mas com outra característica – com instalação de bulevares ou aproveitamento da faixa central para um eventual corredor de ônibus “menos agressivo”.
Segundo Barbieri, o Minhocão funciona bem como via de ligação das zonas leste e oeste, embora do ponto de vista urbanístico seja “horroroso”. 

O especialista lembra que, com a degradação da região do Minhocão, a área hoje não é atraente para empreendimentos residenciais nem comerciais. “Não é que vai demolir e a cidade vai ficar prejudicada pela eliminação de uma via de ligação leste-centro-oeste importante. Mas parte de uma operação urbana maior, uma nova dimensão urbana para aquela região no entorno da ferrovia que passa na Lapa até o centro”.

Apesar de considerar a linha de trem que corta o centro de São Paulo um elemento de segregação de áreas degradadas, Barbieri afirma que os custos para a opção desenhada pela prefeitura para poder demolir o Minhocão são altos.

“Essa não é a primeira proposta de eliminação do Minhocão. Do jeito que o Minhocão foi feito, degradou muito o entorno e é hoje um problema na região da avenida São João. É uma obra urbana que hoje não seria construída em São Paulo, porque ignora quem mora no entorno, está a metros das casas, onde ninguém quer morar. Agora, não sei de onde vão tirar recursos. Os custos para enterrar a linha de trem, se levar em conta os custos do metrô, seriam de R$ 2 bilhões. Não é pouco dinheiro. Por pior que seja o Minhocão, será que esta é uma prioridade? É o que a cidade quer, construir uma via em cima de uma linha enterrada de trem que já existe?”

O especialista afirma que se o governo estiver disposto a solucionar a questão, novas ideias podem surgir, inclusive sobre o que deve ser feito no local onde hoje existe o elevado. “Espero que sociedade preste atenção em tudo o que está sendo feito”, afirma.

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