Enfermeira e técnicos de farmácia serão indiciados por lesões em recém-nascido

Um bebê recém-nascido teve os dois olhos queimados depois de enfermeira aplicar colírio com concentração errada de nitrato de prata

Fernanda Simas, iG São Paulo |

A enfermeira do Hospital do Servidor Público Municipal que aplicou o colírio errado em um bebê causando queimação nos dois olhos do recém-nascido vai responder, ao menos, por lesão corporal culposa, assim como o casal de técnicos de farmácia do hospital responsáveis pela entrega do medicamento. “Houve imprudência, um erro grosseiro dos técnicos e da enfermeira. A lesão corporal culposa já está constatada, mas ainda preciso esperar um laudo para saber se vou indiciá-los por lesão corporal dolosa”, afirmou o delegado adjunto do 5º Distrito Policial (Aclimação), Ricardo Prezia.

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Frasco de nitrato de prata com concentração de 50% (esquerda) é maior do que o de concentração 1%

No último dia 12, por volta das 12h30, logo após o bebê nascer, a enfermeira, com 26 anos de profissão, pingou uma gota de colírio em cada olho da criança. O procedimento padrão implica em aplicar nitrato de prata com concentração de 1% para evitar a sífilis gonocócica. No entanto, o que foi aplicado no recém-nascido foi o nitrato de prata com concentração de 50%, usado para queimar verrugas.

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Requisição de remédio com modificação feita pela enfermeira
A polícia já ouviu dez pessoas e apurou que a enfermeira não verificou a medicação que estava sendo aplicada – o frasco correto é um pouco menor do que o frasco da solução com 50%. Além disso, no pedido que ela fez à farmácia do hospital escreveu apenas que precisava de nitrato de prata, sem determinar a concentração. De acordo com Prezia, depois de perceber o erro, ela tentou adulterar a requisição do remédio, acrescentando a porcentagem necessária.

A técnica de farmácia, de 50 anos, e o técnico, de cerca de 25 anos, não questionaram qual seria a porcentagem requerida e, segundo o delegado, contaram durante o depoimento que não tinham conhecimento da existência de diferentes porcentagens para esse medicamento. “Vamos questionar os Conselhos responsáveis pela categoria e se ficar provado que eles deviam saber dessa diferença, vão ser indiciados”, explica Prezia.

Criança pode ficar cega

O bebê foi transferido para o Hospital São Paulo, onde continua internado sem previsão de alta. Ele pode ficar cego dos dois olhos e teve queimaduras no tórax e nas mãos depois que o colírio escorreu de seus olhos. Segundo o delegado, o recém-nascido já passou por algumas cirurgias.

Um exame de corpo de delito será feito assim que a criança tiver alta e vai apontar se a lesão sofrida foi grave ou gravíssima. Depois desse exame, o delegado poderá avaliar se houve dolo eventual por parte dos envolvidos, ou seja, se as pessoas assumiram o risco de causar alguma lesão no bebê, e concluir o inquérito.

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