“Encerro mês com R$ 47 mil negativo”, diz dono de churrascaria no Center Norte

Divulgação sobre vazamento do gás metano no shopping trouxe prejuízos ao restaurante do empresário Valdir Guarnieri

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Carolina Garcia
Empresário Valdir Guarnieri lamenta prejuízo de R$ 47 mil reais após 15 dias de fraco movimento

Para o empresário Valdir Guarnieri, sócio-proprietário da churrascaria Estrela do Sul, localizada no estacionamento do Shopping Center Norte, a notícia sobre o vazamento do gás metano no local “só trouxe prejuízos e afastou clientes”. No mesmo local há 27 anos e cinco meses, desde a construção do complexo, segundo o dono, o restaurante nunca enfrentou tempos tão difíceis. “Há 15 dias tenho gasto mais com a alimentação dos meus funcionários do que com rodízios aos clientes. Só com esse período, calculo que encerro o mês com R$ 47 mil negativo no banco”, lamenta Guarnieri.

Leia também: Com liminar, Center Norte funciona normalmente nesta sexta

Segundo o empresário, a movimentação do restaurante caiu aproximadamente 95% só nessas duas últimas semanas. Guarnieri diz que espera que a situação do complexo chegue logo ao fim. “Não é só o Center Norte que está sobre a área contaminada. Se todo o local apresenta um risco à população, a prefeitura tem que interditar tudo e o shopping acelerar as obras”, defende. Na quinta-feira (29), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que vai investigar se existe indícios de contaminação em outras 13 áreas próximas do Center Norte.

A interdição do Center Norte havia sido determinada, na terça-feira (27), pela prefeitura depois de laudos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontarem o risco de explosão devido ao vazamento de gás metano. Por meio de uma liminar concedida pelo juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda de São Paulo, o shopping Center Norte abriu as portas normalmente , às 10 horas, nesta sexta-feira.

Para o empresário Guarnieri, caso o Center Norte chegue a ser interditado, haverá a necessidade da administração do shopping investir em publicidade para trazer os clientes de volta. ”Entendo o desespero de alguns vendedores e empresários. Mas precisamos resolver isso e depois mostrar que o local é seguro. Só assim os clientes irão voltar e tudo ficará bem”, acredita.

A reportagem do iG visitou o local às 12h18 e o cenário foi bem diferente do que normalmente é visto na churrascaria, defendeu o dono. Na parte externa do restaurante, não era um desafio encontrar uma vaga no pátio de estacionamento e o serviço de valets poderia ser facilmente dispensado. No saguão, as 130 mesas preparadas para receber clientes estavam vazias “como se eu estivesse me preparando para a falência”, descreve Guarnieri apontando para os quatro clientes que almoçavam no local. Os 32 funcionários do estabelecimento eram entretidos por uma grande televisão no fundo do salão. “Ainda não dispensei ninguém já que quero acreditar que isso é uma fase que logo irá passar”.

Veja imagens do Center Norte nesta sexta-feira

Lojas abertas, corredores vazios

Nesta sexta-feira, o segundo maior shopping de São Paulo em movimentação, por onde passam 80 mil pessoas diariamente, de segunda a sexta-feira, e 120 mil nos finais de semana, funcionou normalmente . Porém, quase não há clientes no Center Norte. Josie Carvalho, de 40 anos, que trabalha como vendedora há 4 nos, diz que as notícias espantaram os clientes. “Não sei nem estimar o prejuízo que vou ter. O movimento não caiu, despencou."

O vendedor Cláudio Almeida, de 34 anos, trabalha há dois anos no Center Norte e nunca tinha visto algo parecido. "Sinto que o prejuízo é de 50%. Este mês vou fechar com o piso (salarial). Sinto que venho trabalhar para cumprir horário”, lamenta explicando que a comissão equivale a três vezes o seu salário fixo. A representante comercial Débora Oliveira, de 46 anos, frequenta o shopping desde a fundação porque mora na região. "Sou cliente de várias lojas e conhecida dos vendedores. Ao conversar com eles, noto o desespero deles. Não sei se é o caso de fechar logo para que as obras sejam aceleradas e cessem o sofrimento dos trabalhadores porque o cenário aqui é de um shopping prestes a falir."

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