Em depoimento, motorista de Porsche chora e diz que não estava a 150km/h

Empresário se apresentou em delegacia do Itaim Bibi para dar sua versão sobre acidente que causou a morte de uma advogada

Fernanda Simas, iG São Paulo |

O empresário Marcelo Malvio Alves de Lima, de 36 anos, motorista do Porsche que se envolveu no acidente que matou advogada baiana Carolina Menezes Cintra Santos no último dia 9, prestou depoimento na noite desta quinta-feira no 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo.

AE
Acidente entre Porsche e Tucson, no Itaim Bibi
Segundo o delegado Noel Rodrigues de Oliveira Júnior, o empresário admitiu que dirigia o automóvel a mais de 60 km/h, limite de velocidade na via onde aconteceu a colisão, mas afirmou que não estava a 150 km/h, como testemunhas relataram à polícia.

Chorando em alguns momentos, Lima disse que na noite do acidente ficou em um restaurante com uma amiga, por duas ou três horas, e que bebeu apenas uma taça de vinho. Após levar a amiga embora, teria ficado com fome e decidiu comer algo antes de ir para casa. O acidente ocorreu nesse caminho. "Ele ficou 3 horas no restaurante e não comeu nada?", questionou o delegado aos jornalistas.

O advogado de Lima, Celso Vilardi, afirmou durante entrevista coletiva que seu cliente não estava alcoolizado. "Existe já uma prova bastante consistente de que ele não estava alcoolizado". "Ele foi examinado por uma médica. A médica, se a polícia entender necessário, vai prestar depoimento", finalizou o advogado.

Vilardi também negou a versão do delegado Noel e de algumas testemunhas de que, na ocasião do acidente, Lima apenas demonstrava preocupação com os danos ao Porsche. "Ele demonstrou hoje que estava abalado. É uma mentira que ele não estava preocupado com a vítima."

O delegado contou que, ao perguntar para Lima sobre as declarações do dia do acidente, o acusado respondeu que não se lembrava de nada. O advogado Vilardi justificou o fato. "Ele teve um quadro de confusão mental que durou até sábado (16) e isso está comprovado por médicos."

Durante o depoimento, o empresário ainda afirmou que não é milionário e que comprou o Porsche em parcelas. Ele também se colocou a disposição da polícia e colocou o sigilo bancário e telefônico a disposição da investigação.

Liberdade

O empresário está em liberdade desde que pagou fiança de R$ 300 mil e recebeu alta do hospital onde estava internado . A juíza Ana Carolina Della Latta Camargo Belmudes determinou a possibilidade de fiança depois de receber o pedido de liberdade provisória de Lima feito pela defesa do empresário. Segundo a decisão, a juíza partiu do princípio que "o indiciado é primário e possui ocupação lícita e residência fixa na capital".

A Justiça determinou que Lima cumpra medidas cautelares de restrição de liberdade. Ele fica proibido de frequentar bares e festas, é obrigado a ficar em casa no período noturno, deve avisar a Justiça quando deixar o Estado de São Paulo, e não pode realizar viagens internacionais.

O acidente

Por volta das 3h do dia 9 de julho, a advogada baiana Carolina Menezes Santos, de 28 anos, transitava com o automóvel Tucson no cruzamento da rua Tabapuã com a rua Bandeira Paulista, em direção à avenida Nove de Julho, com o semáfoto vermelho, seu carro colidiu com o Porsche conduzido por Lima, foi arremessado a mais de 25 metros de distância e acabou prensado em um poste. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, depoimentos indicam que a velocidade do Porsche no momento do impacto era de mais de 150 km/h. O limite da via é de 60 km/h.

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