"Eloá era como minha segunda mãe", diz irmão mais novo

Jovem se mostrou arrependido da amizade que tinha com Lindemberg. "Infelizmente foi através de mim que Eloá o conheceu", afirmou

Carolina Garcia, iG São Paulo |

O irmão mais novo de Eloá Pimentel, Ewerton Douglas Pimentel, de 17 anos, prestou depoimento por cerca de 45 minutos nesta terça-feira, em Santo André, na Grande São Paulo, na retomada do julgamento de Lindemberg Alves . Durante todo o seu depoimento, o jovem se mostrou arrependido pela amizade que tinha com Lindemberg na época do crime e por ter sido a ponte entre o réu e sua irmã. "Infelizmente eu era o melhor amigo dele e infelizmente foi através de mim que Eloá o conheceu", lamentou.

AE
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A irmã foi classificada como "um anjo" e como uma segunda mãe para ele. "Eloá tinha um gênio ótimo e era uma segunda mãe pra mim"

O jovem, que conheceu o réu quando tinha 11 anos durante uma partida de futebol, reforçou que Lindemberg é agressivo e "muito estourado". Como o namoro dos dois havia terminado e, em diversas oportunidades, Lindemberg havia se mostrado ciumento e possessivo, Douglas explicou que sua mãe chegou a impedir a presença de dele na casa.

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Dia do crime

Douglas contou que no dia do sequestro, ele havia decidido não ir a escola. "O telefone tocava sem parar. Só atendi porque achei que pudesse ter acontecido algo com alguém. Mas era Lindemberg pedindo para ir em casa checar algo na internet".

Em depoimento, Douglas afirmou que permitiu a vinda do amigo com a condição de que ele iria embora antes da chegada da irmã. "Liguei e computador e ele viu a pagina do Orkut (rede social) da Eloá e já começou a ficar nervoso pelos recados. Ele era muito ciumento".

Quando o tirou do apartamento, por volta das 12h30, por ser o horário que Eloá chegava, eles decidiram que iriam almoçar em uma pastelaria da região. "Foi quando Lindemberg viu os quatro (Eloá e amigos) caminhando na calçada. Na hora ele mudou, dava pra perceber sua frustração". Douglas conta que pediu para o amigo ficar calmo e que não se tratava de dois casais.

"Depois disso ele chegou a me levar na porta do apartamento e depois me levou até o Parque Fragoso, onde me largou e pediu meu celular dizendo que já voltava. Fiquei esperando por mais de 40 minutos", explicou.

Foi então que Douglas decidiu ir a até a casa de Lindemberg para tirar satisfações com o amigo. "Achei que ele tivesse me esquecido lá. Como não encontrei ninguém, voltei para o meu apartamento. Ninguém respondeu".

Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá, chegou no apartamento por volta das 19h30 e encontrou o caçula sozinho na entrada. "Quando expliquei para o meu pai o que estava acontecendo, ele subiu no apartamento e ligou para o celular de Eloá. Lindemberg atendeu".

"Ele falou para a gente nem chegar perto da porta para ele não fazer nenhuma besteira". Segundo Douglas, Lindemberg entrou lá com um objetivo e sabendo o que iria fazer. "Ele falava constantemente: 'se não for minha, não será de mais ninguém'”

Já com a voz embargada, Douglas finalizou seu depoimento ressaltando que até hoje sofre as consequências do crime. "Ele tirou meu pai e minha irmã de mim (sobre a prisão do pai). Fiquei doente, tomei remédios e fiz tratamento psiquiátrico durante um ano. Ainda não estou recuperado".

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