"Ele era um menino calmo e excelente aluno", diz parente de jovem

Estudante do 4º ano de Administração de Empresa na FGV, em São Paulo, foi morto com cinco tiros em um bar, nesta quarta-feira

Nara Alves, iG São Paulo |

nullO corpo do estudante Júlio César Grimm Bakri, de 22 anos, aluno do 4º ano de Administração de Empresa na Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi cremado na manhã desta sexta-feira, no cemitério da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo. Segundo um parente do estudante, presente no velório, Júlio César era um rapaz calmo e excelente aluno. "A família não faz ideia do que aconteceu", afirmou ao iG .

Júlio César foi atingido por cinco tiros quando estava em um bar ao lado da faculdade, na Bela Vista, região central de São Paulo, e morreu antes de chegar ao hospital. Christopher Akiocha Tominaga, de 23 anos, que estava com Júlio na mesma mesa, recebeu quatro tiros, tendo o rim esquerdo perfurado e a perna direita atingida. Ele passou por cirurgia e está em estado grave, mas estável, na UTI do Hospital das Clínicas.

Na noite de quinta-feira, cerca de 10 amigos e 20 familiares velaram o corpo do estudante. Segundo um parente que preferiu não se identificar, Júlio César nunca se envolveu com drogas ou com brigas. Ao falar sobre as caracteristicas do jovem, ele descreveu a vítima como "acanhado", mas contou que sempre teve "muitos amigos".

Júlio César se mudou de Curitiba, onde moram os pais, para São Paulo depois de passar no concorrido vestibular da FVG.  Filho de mãe de origem alemã e de pai de origem libanesa, Júlio morava sozinho e era sustentado na capital paulista pela família. Ele tinha um irmão e uma irmã. "Os pais estão inconsoláveis. Não devem acompanhar a investigação. Eles devem voltar para Curitiba amanhã ( sexta-feira ), após a cremação do corpo", afirmou o parente, durante o velório na quinta-feira.

Imagens da câmera de segurança de um prédio vizinho ao bar onde dois estudantes foram alvejados na noite da última quarta-feira mostram dois suspeitos chegando ao local do crime. Os homens aparecem à direita do vídeo, usando capacetes. Em segundos, entram no bar, efetuam pelo menos 15 disparos e deixam o local. Na fuga, um dos suspeitos (de camiseta branca) chega a cair duas vezes e corre mancando.

Investigação

nullInvestigadores do 4º Distrito Policial, na Consolação, ouviram sete testemunhas nesta quinta-feira, entre elas os donos do bar; o irmão de Christopher, Jonatan Tominaga; e os amigos Danilo Yamagushi, 26, e Acássia dos Santos Cruz Mateus, 23, que presenciaram o crime. Segundo o Boletim de Ocorrência, cinco pessoas estavam na mesa bebendo cerveja e jogando baralho (Júlio, Christopher, Danilo, Acássia e Reinaldo Kenji Kaji, economista de 32 anos), quando dois homens com capacetes chegaram ao local e efetuaram disparos direcionados aos dois estudantes de administração.

A Polícia não chegou à motivação do crime. "Não chegamos a uma motivação. Qualquer hipótese seria exercício de adivinhação. As testemunhas ouvidas hoje pouco puderam ajudar a esclarecer o crime, mas daqui a um ou dois dias vamos chegar à motivação. Temos de ouvir ainda outras pessoas", afirma Paulo César Tucci, delegado responsável pela investigação do crime.

De acordo com o delegado, imagens de outros sistemas de segurança e da CET serão usadas na investigação. Como o crime tem características de uma execução, a Polícia investiga possíveis dívidas, envolvimento com drogas ou crime passional. No entanto, as vítimas tinham um "cotidiano normal", segundo o delegado e não há no momento nenhuma pista concreta que indique o motivo do assassinato.

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