"Ele era muito responsável", diz nora de executivo atropelado em SP

Segundo testemunhas, Antonio Bertolucci teria perdido o equilíbrio da bicicleta, caído no chão e atropelado por um ônibus

Fernanda Simas, iG São Paulo |

A produtora Flávia Bertolucci, nora do executido do grupo Lorenzetti, Antonio Bertolucci, de 68 anos, morto nesta segunda-feira após ser atropelado enquanto seguia de bicicleta pela zona oeste de São Paulo , afirmou que o sogro era uma pessoa muito responsavel no trânsito e que sempre usava os equipamentos de segurança para ciclistas.

Flávia, de 27 anos, deu o depoimento durante evento realizado por ciclistas no local do acidente, na praça Caetano Fraccaroli, que dá acesso à avenida Sumaré, na zona oesta da capital "Ele era muito responsável. Sempre usava capacete e outros equipamentos de segurança. Ele usava a bicicleta sempre. Fazia de bicicleta tudo o que era possível fazer", afirmou.

O dono da bicicletaria Sumaré, Edson Soares de Souza, de 62 anos, conhecia Antonio Bertolucci há mais de vinte anos e não consegue acreditar no que aconteceu. "Ele passou lá [bicicletaria] antes das 8h, leu o jornal, estava feliz. Aí disse que iria tomar café na padaria da Afonso Bovero e saiu", conta sobre o encontro que teve com o amigo na manhã desta segunda, pouco antes do acidente.

AE
Flores colocada como forma de homenagem no local onde o ciclista Antonio Bertolucci morreu após ser atropelado por um ônibus
A nora de Bertolucci, o dono da bicicletaria e mais centenas de ciclistas participaram do ato que começou às 19 horas desta segunda-feira. Segundo a Polícia Militar, a manifestação reuniu cerca de 300 pessoas. Velas foram acesas e colocadas, junto com flores no local. Uma coroa de flores tinha o boné usado pelo ciclista acidentado.

AE
Bicicleta é pendurada próxima ao local do acidente, em homenagem a Antonio Bertolucci
Os ciclistas chegaram a interromper o trânsito na avenida Sumaré para escrever na via "Devagar. Vidas", em tinta branca e pendurar uma "ghost bike" - bicicleta pintada de branco que simboliza a morte de um ciclista - no alto do semáforo, no cruzamento da avenida com a praça Caetano Fraccaroli. Nesse momento as bicicletas foram erguidas e as centenas de pessoas gritavam, em meio às buzinas dos carros parados no trânsito, "menos motor, mais amor" e "menos carros, mais bicicletas."

Segundo o diretor-geral do Instituto CicloBR, Felipe Aragonez, 25 anos, a culpa em acidentes como esse não é apenas dos motoristas ou dos ciclistas. "A culpa não é de uma pessoa. O problema é que não temos educação de trânsito". O diretor-geral da Ciclo Cidade - Associação dos ciclistas urbanos de São Paulo - Thiago Benicchio, 32 anos, explica que o uso da bicicleta como meio de transporte aumentou. "Mais pessoas estão usando a bicicleta para trabalhar, por exemplo, mas não há um acompanhamento de investimento, de políticas públicas para esse crescimento". "Uma parte da necessidade dos ciclistas é a ciclovia, a ciclofaixa, a infraestrutura e a outra parte é a eduação no trânsito de uma forma geral", ressalta Benicchio.

A principal reivindicação do ato de hoje foi chamar atenção para o artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro, que determina que veículos somente devem ultrapassar bicicletas quando houver uma distância lateral de 1,5 metro. "Bicicleta é um veículo de transporte como o carro, o ônibus então ela tem direitos e deveres. A gente está aqui pedindo o compartilhamento de pista", afirma Aragonez.

O analista de suporte André Lima, 25 anos, e o supervisor de crédito Luis Fernando, 38 anos, vão todo dia trabalhar de bicicleta e muitas vezes fazem o percurso juntos. "Andar em dois é mais seguro. As pessoas respeitam mais", explica Luis Fernando e ressalta que em diversas avenidas eles usam o corredor de motos "porque o ônibus se joga em cima [das bicicletas]." Lima conta que de bicicleta vai do bairro Mandaqui, zona norte da capital, até a Vila Olímpia, zona oeste, em quarenta minutos. De carro, o trajeto é feito em uma hora e meia.

Diversos cartazes brancos foram feitos pelos ciclistas e continham os dizeres: "O carro é seu. A rua é para todos", "Ciclista é parte da solução. Respeite" e "Sua pressa vale uma vida?". Dentre esses cartazes de indgnação e protesto, havia um feito pela família: "Vá com Deus tio Antonelo."

O acidente

Antonio Bertolucci morreu nesta segunda-feira após ser atropelado por um ônibus. O ciclista chegou a ser levado para o Hospital das Clínicas, mas morreu logo após dar entrada, às 9h36. Segundo relatos de testemunhas, Bertolucci teria perdido o equilíbrio e caído no chão. Um ônibus de uma empresa de turismo estaria passando ao seu lado neste momento e seria o responsável por atropelar o empresário.

Ele estava usando capacete no momento do acidente e a sua bicicleta continha sinalização visual, como uma lanterna. "Ele falava que usava tudo isso para não ser atropelado", lembra Edson Soares de Souza, ressaltando que Bertolucci usava a bicicleta apenas durante o dia, o que dispensaria as luzes de sinalização.

    Leia tudo sobre: ciclietasbicilcletaacidenteAntonio Bertolucci

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG