"Ele é um monstro, louco e agressivo", diz irmão de Eloá sobre Lindemberg

Ronickson falou sobre a relação que tinha com o acusado e sobre suas atitudes violentas com Eloá. “Ela deixou de viver naquele relacionamento"

Carolina Garcia, iG São Paulo |

O irmão mais velho de Eloá Pimentel, Ronickson Pimentel Santos, foi a primeira testemunha a ser interrogada no segundo dia de julgamento de Lindemberg Alves , no fórum de Santo André, na Grande São Paulo. Durante cerca de 1 hora, o irmão, que hoje é policial militar e na época, aos 21 anos, era fuzileiro naval da Marinha, no Rio de Janeiro, falou sobre a relação que tinha com o acusado e sobre suas atitudes violentas.

Carolina Garcia
Membros da promotoria e a juíza do caso, nesta terça-feira
Advogada: 'Para descobrir a verdade não precisa ter pressa', diz defesa de Lindemberg

Para Ronickson, Lindemberg, que é acusado de manter em cárcere e matar Eloá, é "um monstro, louco e agressivo". Segundo o irmão, Eloá não podia fazer nada sem falar com ele. “Ela deixou de viver naquele relacionamento”.

Em seu depoimento, o irmão mais velho de Eloá se emocionou ao relembrar o momento da morte da irmã, a doação de órgãos e o vazio que Lindemberg deixou na família. "Ele mudou totalmente a nossa vida. Ficou um vazio. Minha mãe está sob efeito de remédios e está depressiva. Estamos reconstruindo tudo de novo", se referindo ao nascimento do filho, que hoje tem 7 meses.

O irmão disse que Eloá sempre vivia chorando pelos cantos, que as brigas entre o casal eram constantes e que ele a alertava: “Você não merece uma pessoa dessa", falava para a irmã. Apesar de dizer que não era amigo de Lindemberg, Ronickson afirmou que o conhecia por amigos próximos e que os dois "se toleravam”.

O irmão afirmou que tinha um 'pé atrás' com Lindemberg por conta das amizades. "Ele tinha amigos envolvidos com o roubo de carros. Não sei se ele estava no meio. Mas todos sabiam que eles eram perigosos".

Sobre agressões de Lindemberg contra Eloá, Ronickson disse que chegou a conversar com o ex-namorado da irmã sobre o assunto, mas que durante o sequestro percebeu que o réu tinha ficado magoado com isso.

Em uma ocasião, ele ficou sabendo que o acusado teria puxado os cabelos e dado tapas em Eloá. Então teria ido atrás de Lindemberg. Segundo Ronickson, ele foi até a frente da casa de Lindemberg que o convidou para entrar. "Resovemos tudo alí. Disse para ele que não queia saber mais nada de agressão. Mas durante o sequestro, quando o comandante disse que o irmão estava lá para falar com ele, ele perguntou: 'É o pequenininho ou o grandão? Quando comandante disse que era o mais velho. Ele falou que queria falar comigo. Aí ele mencionou aquela conversa e disse: 'Você lembra do que nós conversamos. Você nunca pediu desculpas naquele dia?'. Cheguei a tentar pedir desculpas naquele momento. Ele não aceitou. Ele tinha muita mágoa", declarou.

Ronickson disse ter presenciado vários momentos de violência de Lindemberg. "Durante jogos de futebol, não tinha uma partida que ele não arranjava briga. Ele era brigão”, afirmou. De acordo com o depoimento, as brigas começavam com entradas mais fortes e chegava a luta corporal.

Segundo dia de julgamento 

O julgamento de Lindemberg Alves recomeçou nesta terça-feira por volta de 9h25. O depoimento de Ronickson Pimentel Santos foi o última das testemunhas de acusação a falar. Depois iniciou o depoimento das das testemunhas de defesa. No primeiro dia de júri, ocorrido nesta segunda-feira, os outros envolvido no cárcere de mais de cem horas foram interrogados. Para eles, o reú tinha a intenção de matar a ex-namorada .

Réu: Lindemberg fica nervoso durante depoimento de amigo de Eloá
Nayara: "Era certo que ele ia matá-la"
Crime: relembre o caso Eloá
Defesa: "Ele é um bom rapaz, ingênuo"
Advogado: "Ele tinha intenção de matar"

No primeiro dia do julgamento, foram ouvidas quatro testemunhas da acusação , três amigos de Eloá que foram mantidos reféns junto com ela – Nayara Rodrigues, Iago de Oliveira e Vitor de Campos – e um policial militar, o sargento Atos Valeriano, que participou das primeiras negociações.

Uma linha que deve ser seguida pela advogada do acusado, Ana Lúcia Assad, é a de que Lindemberg não teria disparado os três tiros (dois contra Eloá e um contra Nayara) depois da invasão da polícia, no último dia do sequestro. Essa hipótese foi levantada inclusive após o depoimento de Nayara Rodrigues. Em sua fala, a amiga de Eloá disse: “Ouvi três disparos, foram feitos depois que a polícia entrou”.

Após o término de todos os depoimentos, Lindemberg deve dar a sua versão dos fatos. Depois disso, ocorrem os debates entre promotoria e defesa – cada parte terá 1h30 para defender suas teses. Lindemberg está sendo julgado por 12 crimes.

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