"Ele acabou com essa moça em todos os sentidos", diz delegado

O delegado Alexandre Polito ouviu o depoimento de 'Buda', acusado de matar a supervisora de vendas Vanessa Duarte, e considerou o crime muito violento

Fernanda Simas, iG São Paulo |

AE
Edson Bezerra Gouveia, um dos acusados de matar Vanessa Duarte, é preso
Edson Bezerra Gouveia, conhecido como Buda, confessa ter estuprado e matado a supervisora de vendas Vanessa Vasconcelos Duarte no dia 12 de fevereiro, mas, em depoimento para a polícia, alegou que não a conhecia e agiu sozinho, com a intenção de roubá-la. Buda foi preso na última sexta-feira (26) em Sergipe, Pernambuco . A polícia conta que ele estava escondido em uma fazenda de laranjas e foi reconhecido por suas tatuagens.

A polícia, no entanto, não acredita que o crime tenha sido cometido apenas por Buda. Ronaldo, conhecido como Gigante e cunhado de Gouveia, foi preso na segunda-feira (22) e pode ter participado do assassinato de Vanessa. “Temos certeza que ele ( Buda ) não agiu sozinho. Temos que acreditar nas testemunhas que dizem ter visto duas pessoas discutindo com a Vanessa no carro e que reconhecem Ronaldo como sendo uma delas”, afirma Albano David Fernandes, delegado seccional de Carapicuíba.

Ele ressalta que a violência do crime também indica a participação de uma segunda pessoa. “É impossível você dominar uma pessoa, mesmo uma mulher, totalmente. Pelos laudos, vemos que houve luta corporal.” A polícia vai pedir a prisão preventiva de Buda e Ronaldo, que foram indiciados por latrocínio (roubo seguido de morte) e estupro.

Durante o inquérito policial, que durou cerca de quatro horas, Buda se mostrou arrependido e contou que decidiu estuprar Vanessa ao perceber que ela não tinha dinheiro. “Ele dizia ‘eu não sei porque fiz isso’ e fala que matou para não ser reconhecido”, conta Alexandre Polito, delegado que presidiu o inquérito.

Reprodução
Vanessa Duarte ao lado do noivo Luiz Vanderlei de Oliveira
Relato detalhado

Polito explica que Buda não resistiu à prisão e confessou o crime “com riqueza de detalhes”. Na noite de sexta-feira (11 de fevereiro) para sábado (12 de fevereiro), Buda teria ido a um bar de Barueri (cidade em que morava na época do crime, junto com Ronaldo) e ingerido bebida alcoólica e vários tipos de drogas como LSD, maconha e crack. Ele não quis ficar em casa e decidiu andar pelas ruas do bairro.

Por volta de 8h da manhã do dia 12, ele viu Vanessa saindo da casa do noivo, entrou no carro dela pela porta do passageiro, fingiu estar armado, anunciou o assalto e disse para ela sair de Barueri. Os dois seguiam pela Rodovia Raposo Tavares quando ele percebeu que ela não tinha dinheiro, apenas algumas joias, então decidiu leva-la para Vargem Grande Paulista, local onde ele já havia morado e, portanto, conhece bem.

Em Vargem Grande Paulista, eles foram para um matagal que, de acordo com a polícia é uma espécie de “motel a céu aberto que só quem mora no local conhece bem”. Lá, Buda teria estuprado Vanessa e a estrangulado com o cadarço do próprio tênis. “A violência empregada no crime é muito alta. Ele ( Buda ) acabou com essa moça em todos os sentidos”, argumenta Polito.

Em seguida, Buda colocou o cadarço novamente no tênis e jogou o corpo de Vanessa em um barranco. “Isso só prova que ele sabia o que estava fazendo, não estava sob efeito de drogas”, afirma o delegado, ressaltando que ele reconheceu a posição em que tinha deixado o corpo por meio de fotografias do Instituto de Criminalística (IC).

Depois do crime, Buda teria roubado a bolsa e o celular de Vanessa, ido até um supermercado, comprado álcool para incendiar o carro e começado a fugir. Ele procurou abrigo com familiares, que teriam se negado a ajudar, e afirmou à polícia que jogou os objetos roubados no mato, mas a polícia não os encontrou.

Vítimas mulheres

“Em crimes anteriores, ele ( Buda ) elegeu mulheres como vítimas”, diz o delegado Fernandes, se referindo a outros dois roubos praticados por Buda. Além desses crimes, o homem também teve participação em uma saidinha de banco e foi acusado por atentado violento ao pudor, crimes cometidos em 1997, 1998 e 2001. “Nesses casos, ele teve a participação de outros comparsas. O roubador dificilmente age sozinho”, enfatiza Fernandes. 

O caso

O corpo de Vanessa Duarte foi encontrado no domingo (13 de fevereiro), no km 41,5 da Rodovia Raposo Tavares, em Cotia, Grande São Paulo. Ela estava desaparecida desde que saiu da casa do noivo, em Barueri, também na região metropolitana, entre 8 e 9h de sábado (12), para encontrar suas amigas e irem juntas a um curso de maquiagem, mas não chegou ao local combinado. O corpo foi achado no meio da mata, seminu e apresentando sinais de violência.

Na mesma manhã, as amigas estranharam a demora e tentaram achá-la. Um policial militar e dois amigos de Vanessa decidiram realizar buscas por contra própria. O carro que a jovem usava foi encontrado abandonado em Vargem Grande Paulista, também na Grande São Paulo, pela Polícia Militar. Uma moradora da região disse que viu quando o veículo foi deixado no local por um homem.

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