Durante velório, família de mãe e filha atropeladas pede justiça

Miriam e sua filha Bruna foram atropeladas na noite de sábado (17) ao saírem de um shopping. Motorista tinha sinais de embriaguez e foi preso

iG São Paulo |

WERTHER SANTANA/AGÊNCIA ESTADO/AE
Rafael (d) é amparado durante o enterro da mãe e da irmã, no Cemitério do Araçá, em São Paulo
"A ficha ainda não caiu", disse o palestrante motivacional Rafael Baltresca, no velório da mãe e da irmã, ambas vítimas de um atropelamento na calçada em frente ao Shopping Villa-Lobos, em Alto de Pinheiros, zona oeste da capital, na noite de sábado. O motorista do Golf preto que as matou, Marcos Alexandre Martins, de 33 anos, aparentava estar bêbado, segundo a Polícia Militar (PM). 

"Ele interrompeu a vida de uma mulher de 28 anos, que tinha tudo pela frente. Minha irmã era advogada, trabalhava com a Justiça, para fazer justiça. Espero que agora ela seja feita", disse Rafael, referindo-se a advogada Bruna Baltresca, de 28 anos, uma das vítimas. Ele morava com Bruna e a mãe, a dona de casa Miriam Afif José Baltresca, de 55 anos. O pai da família faleceu há sete anos. 

Rafael quer que o atropelador responda pelas mortes. "Não é com castigo que vamos resolver isso, mas com conscientização. O governo tem que fazer mais campanhas para mostrar que se dirigir embriagado, você pode sim matar alguém. É uma máquina em sua mão, quem for atingido não tem a menor chance." 

A sala do velório, realizado no , na zona oeste, foi preenchida com fotos das duas e uma bandeira da igreja em que Miriam participava tocando violão, uma de suas paixões. "Ele sempre cuidou das duas, vivia para elas. Então vem alguém e faz o estrago que fez", desabafou a atriz Patrícia Pantaleão, de 29 anos, namorada de Rafael.

"Mas acho que o atropelador também não conseguirá viver com o que fez", completou. "Agora, com a ajuda dos amigos e dos parentes, ele [Rafael] tem que seguir em frente, mas é difícil. Família é isso, pai, mãe e irmã. Ele perdeu todos", disse Patrícia. Sobre o futuro, Rafael diz não saber como será. "Não penso na vida agora, porque é só um vazio."

Homicídio doloso

Miriam e Bruna morreram após serem atropeladas, às 23h de sábado (17), enquanto caminhavam na via lateral da Marginal Pinheiros. Elas saíam do Shopping Villa-Lobos e estavam na calçada caminhando até o carro quando foram atingidas por outro veículo.  Segundo a polícia, as peças do carro foram encontradas afastadas do local e até o motor ficou pelo caminho após a batida. Miriam morreu na hora. Bruna, sua filha, chegou a ser socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o delegado plantonista do 14º DP esteve no local do acidente e observou que o mortorista trafegava com velocidade muito acima da permitida pois o ponteiro do velocimetro parou no índice de 100 km/h. O motorista foi indiciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar, já que "ele assumiu riscos ao dirigir em velocidade incompátivel e ao ingerir álcool", disse o delegado. 

Ele está detido na carceragem do 91º Distrito Policial (Ceagesp), e durante a tarde deve ser transferido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém.

*com AE

    Leia tudo sobre: atropelamentosão pauloprisãoembriaguez

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG