Dudu: o forte ladrão com anel de ouro que aterrorizou bairros nobres de SP

Descrito como "perigoso" e "determinado", o homem de 1,90 m roubou ao menos 15 casas e teve que ser detido por seis policiais

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Diogo Moreira/Futura Press
Dudu ficou conhecido pela violência durante os roubos
Um homem de 1,90 m, forte e com um anel feminino de ouro cravejado de diamante em uma das mãos. A joia é uma lembrança na vida de Emerson Rodrigo Rezende dos Santos, 27 anos. Lembrança do primeiro assalto que fez, há cinco anos. Emerson ou Dudu, como é conhecido, foi preso no último dia 10 depois de ter cometido ao menos 15 roubos a casas de alto padrão em busca de joias, assim como em sua estreia no crime .

Há oito meses, a polícia iniciou investigação para encontrar e prender o ladrão que vinha aterrorizando moradores do Morumbi, Itaim Bibi e Pinheiros, em São Paulo. Descobriu que o assaltante, o Dudu, era vizinho das vítimas: havia se mudado há seis meses para uma casa no Butantã que comprou à vista.

Na investigação, a polícia definiu Dudu como “perigoso” e “determinado”. A tática para roubar as casas era sempre a mesma: entrava nos locais entre 6h e 8h, quando algum funcionário estava chegando ou saindo, carregava um fuzil e um rádio comunicador e era violento com suas vítimas. Ele ameaçava as famílias para saber onde estava o cofre, as joias, relógios e eletrônicos - o foco de suas ações. Segundo a polícia, Dudu usava sempre a tortura psicológica e ameaçava matar os filhos das pessoas.

Em um de seus roubos, ele forçou um refém a tomar bebida alcóolica e, em outro, bateu na vítima até que ela dissesse onde estava o cofre que não existia. A violência também era a marca dos seus comparsas: um deles se cortou em uma residência e colocou o dedo ensanguentado na boca de uma mulher.

Sempre apontado como o chefe das quadrilhas, Dudu não chamava os mesmos assaltantes para praticarem os roubos. E ordem sua devia ser cumprida na hora. Segundo a polícia, por vezes ele orientava o que devia ser roubado e o que devia ser deixado para trás. Em poucas situações, precisou gritar ‘a situação sujou’ e mandou todos saírem da residência.

iG São Paulo
Algumas joias e relógios foram encontrados na casa de Dudu
Além de joias, Dudu também coleciona vítimas ilustres. Entre elas estão desembargadores, promotores, juízes, empresários e políticos. Até Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, caiu nas mãos do ladrão. Ele teve outro bem precioso roubado: uma camisa da seleção brasileira de futebol, autografada por todos os jogadores.

Às 22h30 do dia 10 de dezembro, Dudu foi preso quando caminhava pela avenida Carlos Lacerda, na zona sul da cidade. Ele estava próximo a um baile funk quando foi abordado por seis policiais. Mesmo em posição desfavorável, Dudu resistiu e lutou contra os policiais, mas não conseguiu escapar. Na briga, o assaltante feriu o braço de um dos investigadores. Oito policiais fizeram a escolta do acusado até a delegacia.

A polícia não sabe exatamente a soma de tudo que foi roubado por Dudu. Mas em apenas um assalto a uma casa no Morumbi, ele conseguiu levar R$ 1,5 milhão neste ano.

Com outras passagens pela polícia por roubo e receptação e com a prisão preventiva decretada, agora ele vai responder por roubo qualificado, formação de quadrilha e tortura e pode pegar pena de 7 a 21 anos. Ele é casado e tem uma filha de três anos.

Leia mais sobre a violência no bairro do Morumbi:

- Assaltantes invadem residência no bairro do Morumbi
- Polícia Militar faz operação para conter roubos no Morumbi
- São Paulo tem oito roubos a residências por dia
- 'Ladeirão' do Morumbi tem 1 assalto a cada 2 dias
- Manifestação por segurança reúne 2.500 pessoas

* Colaborou Carolina Garcia, iG São Paulo

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