Distribuidoras operam, mas SP ainda tem postos sem combustíveis desde segunda

Bases de distribuição estão operando normalmente, diz sindicato. Porém, bombas continuam vazias e sem previsão de abastecimento na capital

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Mesmo com a distribuição de combustíveis reestabelecida, cones e correntes permanecem em vários postos de gasolina em São Paulo. A reportagem do iG percorreu alguns postos das zonas sul e oeste da capital e observou que muitos continuam com suas bombas vazias desde o início da semana, quando começou a greve dos caminhoneiros . Com o posto vazio e sem previsão para receber caminhões-tanque carregados, frentistas realizam a limpeza e organizam materiais de escritórios.

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Carolina Garcia / iG
Posto da BR estava fechado desde terça-feira às 14h30. O caminhão-tanque só chegou nesta tarde

"Tivemos que arranjar coisa para fazer. É horrível, o tempo não passa", conta Edimas Gonçalves que é frentista há 17 anos. O posto que Gonçalves trabalha, em uma travessa da avenida Morumbi, sofre com o desabastecimento desde as 18h30 de segunda-feira (5). "A primeira a secar foi a gasolina. Depois continuamos trabalhando só com o álcool, mas ele só durou 4h", conta.

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Segundo a direção do posto, não há previsão para a chegada do caminhão-tanque e o prejuízo ainda não foi calculado. A estimativa é que o estabelecimento tenha perdido a venda de 60 mil litros de combustíveis. O frentista completou que, "mesmo nos últimos litros", o dono não fez reajustes no preço. "Continua o mesmo. Ele não deve ter achado justo com a população. Isso é não é honesto."

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Edimas Rodrigues tenta driblar o tédio em seu posto que está fechado desde segunda (5)
Já no cruzamento das avenidas Alvarenga com Vital Brasil, um outro posto da bandeira BR recebeu seu último cliente às 14h30 de terça-feira (6). "Desde então, o jeito foi colocar cones e cordas", disse o gerente Gerson Ribeiro, de 36 anos. Segundo ele, que normalmente vende 10 a 15 mil litros por dia, o posto pode ter deixado de lucrar cerca de R$ 35 mil. "Eles [os caminhoneiros] têm que lutar pelo direito deles, mas passo a discordar quando começa afetar a população e os homens de bem", disse.

No posto de Ribeiro, segundo ele, não houve reajustes nos preços e o etanol, assim como antes da paralisação, continuou a R$ 1,89 o litro. "Muitos me perguntaram se eu não iria 'tirar proveito da crise'. Eu não posso esquecer do meu cliente fiel, ele vai se sentir lesado. O erro desses caras [ os gerentes que foram presos pela polícia ] é esquecer que a crise acabaria e tudo voltaria ao normal."

Por volta das 14h30 de hoje, o gerente afirmava que não havia previsão para o reabastecimento, mas acabou sendo surpreendido com a chegada do caminhão-tanque da distribuidora da Petrobrás. "Não esperava, a distribuidora não deu previsão alguma, mas já estava na hora de voltar ao trabalho", disse sorrindo.

A falta de informação sobre a distribuição pôde ainda ser confirmada em outros postos de gasolina a poucos metros do posto de Ribeiro. Na mesma quadra, estão localizados quatro postos - um da mesma bandeira, a BR - que permaneciam fechados até o horário da publicação dessa reportagem. "Eu recebi aqui, mas não quer dizer que meu companheiro vizinho recebeu. Não dá para prever nada", concluiu. 

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