Disfarçado, músico afirma inocência na morte de ex-mulher em 2008

Evandro Gomes Correia Filho é acusado de matar a ex-mulher Andréia Cristina Nóbrega, que caiu do 3º andar de prédio, em Guarulhos

iG São Paulo |

AE
Evandro Gomes Correia Filho usando peruca, barba falsa e óculos escuros em entrevista coletiva

Usando uma peruca, barba falsa e óculos escuros, o músico Evandro Gomes Correia Filho, denunciado pelo Ministério Público (MP) e que está com a prisão preventiva decretada por homicídio, reapareceu nesta quarta-feira em São Paulo para reafirmar sua versão de que não matou a ex-mulher Andréia Cristina Bezerra Nóbrega, em 2008. Ele não pode ser preso em razão da lei eleitoral. Na versão de Evandro e seu advogado, Andréia teria se jogado da janela com o filho do casal, Lucas.

O pagodeiro, que atualmente mora no Nordeste, apareceu no escritório de seu advogado, Ademar Gomes, com o disfarce para não ser reconhecido. Segundo o relato, o casal voltou de um shopping, no dia do crime, e foram para o apartamento em que moravam sozinhos. O filho foi posto no quarto.

Ao abrir um garrafa de vinho, a mulher questionou o pagodeiro a respeito de um outro filho, recém-nascido, que ele teria com outra mulher. Ainda conforme a defesa, a esposa começou a agredir o marido verbalmente.

O casal discutiu e ela teria ido até a cozinha, pego uma faca e cortado a mangueira de gás. Evandro teria, então, tirado o utensílio da mão dela. A mulher saiu, e quando o pagodeiro se virou, ela, de acordo com a defesa, se jogou. Conforme o acusado, ele viu apenas o pé dela na janela.

Evandro então desceu as escadas e encontrou os vizinhos, que se aglomeravam em baixo do prédio. Pensando que o filho estava bem e com medo de ser linchado, ele fugiu.

Desenho

Evandro diz que o desenho que Lucas teria feito à polícia, de um homem segurando uma faca na frente da mulher, seria o momento em que ele desarmou Andréia. A defesa alega ainda que a porta estaria aberta, e a esposa poderia ter gritado ou pego um objeto para se defender.

De acordo com o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira, responsável pelo caso, Evandro agrediu fisicamente a ex-mulher e anunciou que mataria Andréia e o filho. O MP pediu à Justiça pena de 30 anos de prisão por homicídio qualificado.

Segundo a versão da polícia, mãe e filho foram jogados pelo músico do terceiro andar do prédio onde moravam, no bairro Jardim Santa Mena, no dia 18 de novembro de 2008. Andréia foi encaminhada ao pronto-socorro do Hospital Padre Bento, mas não resistiu aos ferimentos. Já a criança conseguiu sobreviver.

Conforme a família de Andréia, ela já havia registrado dois boletins de ocorrência contra o ex-marido; um na Delegacia da Mulher, por agressão e injúria, e outro, no 2º Distrito Policial de Guarulhos, por ameaça. O filho do casal contou que os pais tiveram uma discussão e que Evandro ameaçou matar mãe e filho com uma faca de cozinha. Para evitar o crime, a mulher jogou a criança pela janela do apartamento e depois pulou. O menino caiu e ficou sobre a marquise do prédio, já a mãe bateu na marquise antes de cair na calçada.

Em setembro, a Justiça de Guarulhos havia negado um pedido de salvo-conduto ao pagodeiro. Evandro queria se valer da condição de eleitor, apresentar-se à Justiça e contar a versão dos fatos no período eleitoral. Em sua decisão, o juiz afirmou que "não é o juiz de direito que deve se adequar à conveniência dos réus, e sim o contrário". Segundo o magistrado, o pedido advogado denotava completa "inversão de valores e deturpação da vontade do legislador".

* com informações da Agência Estado

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