Diretor do Sou da Paz critica ação da polícia de SP

Para Denis Mizne, o aumento do número de mortes em confronto com policiais militares não tem cabimento e precisa ser revertido

Daniel Torres, iG São Paulo |

AE
Policiais em operação da Grande São Paulo
Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo revelam que a Polícia Militar do Estado matou 40% mais pessoas em ocorrências registradas como confrontos no primeiro trimestre deste ano do que em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e março de 2010 foram 146 mortes, contra 104 mortes no mesmo período de 2009. Para Denis Mizne, diretor-executivo do “Instituto Sou da Paz”, esse aumento é uma alerta para que a polícia paulista reveja as sua ações.

“Não tem cabimento esse índice de letalidade. Um Estado como São Paulo, que vem conseguindo reverter os índices de homicídio não pode ter estatísticas como essa. São Paulo conseguiu, nos últimos 10 anos, uma forte queda no número de homicídios sem que a polícia matasse tanto. A gente já viveu em momento muito mais violento onde a polícia matava menos e já viveu momentos mais violentos onde a polícia matava mais. Não existe relação”, afirmou.

Mesmo com o maior número de mortes de civis em confronto com a Polícia Militar, os números de homicídios não caíram no Estado. Na comparação entre o início de 2009 e 2010, o número de homicídios no Estado registrou uma leve alta. No relatório estatístico divulgado pelo SSP, foram registrados 1.224 homicídios no primeiro trimestre deste ano. Em 2009, foram 1.143, pouco a mais que em 2008, quando foram registradas 1.135 mortes de janeiro a março.

“Se polícia matando resolvesse, o Rio de Janeiro seria um paraíso. A Polícia do Rio de Janeiro é disparado a que mais mata no Brasil e a gente sabe que isso não resolveu a situação. Em São Paulo mesmo, no início da década de 90, matava-se cerca de 1.500 por ano. Conseguimos reduzir a 300, que é um número alto, mas para os padrões brasileiros foi uma conquista”.

Nos últimos 12 meses, período que coincide com o início da gestão do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que assumiu o cargo em março do ano passado, o número de mortes provocadas por policiais militares em serviço foi 54% maior do que nos 12 meses anteriores, na gestão de Ronaldo Marzagão.

Mesmo assim, Mizne não acredita que o aumento da letalidade da polícia esteja vindo das autoridades que coordenam a segurança no Estado. “Não acho que seja uma recomendação das autoridades para agir com mais violência. E essa não é a política do secretário de segurança, não é a do comandante da PM, que é uma pessoa séria, comprometida com a segurança da população. Mas alguma coisa precisa ser feita. A polícia tem que ser a primeira a dizer que não e normal.”.

De acordo com comunicado da Polícia Militar, o número de mortes de civis pela PM aumentou por conta o crescimento do número de confrontos. Segundo a porta-voz da PM, subiu de 277 no primeiro trimestre de 209 para 301 em 2010. “A policia não está matando mais. A polícia está agindo mais”, afirmou a tenente Cibele Marssola, porta voz da PM, em entrevista à Rádio CBN.

Dados da Polícia Militar mostram que no primeiro trimestre de 2010, foram presos em flagrante 21.274 pessoas, 3.385 condenados foram capturados, 3.207 armas foram apreendidas.

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