Diretor do Deic ironiza investigação paralela sobre roubo ao Itaú

Declarações do delegado Nelson Silveira Guimarães expõe mal-estar na Polícia Civil de São Paulo após investigação paralela

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Depois de uma série de falhas, o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) convocou jornalistas nesta sexta- feira para anunciar a prisão de um dos integrantes da quadrilha que roubou 138 cofres particulares da agência do banco Itaú, localizada na Avenida Paulista. Mas a entrevista coletiva foi mais do que o anúncio da prisão, foi uma oportunidade para demonstrar o mal-estar e a irritação do Deic com a investigação paralela do caso, iniciada por Ruy Ferraz Fontes, titular do 69° Distrito Policial (Teotônio Vilela), localizado na zona leste de São Paulo.

Alexandre Ribeiro/Futura Press
Direto do Deic, delegado Nelson Silveira Guimarães durante entrevista coletiva
Esse trabalho paralelo é considerado por algumas alas da Polícia Civil como o motivo do atraso das investigações do caso, que ocorreu na noite de 27 de agosto e começou a ser investigado no dia cinco de setembro. “O Deic saiu atrás, mas o Deic chegou na frente”, afirmou o delegado Nelson Silveira Guimarães, diretor do Deic. “A competência ( para investigar roubo a bancos ) é nossa. Exclusiva nossa, do Deic”, explicou.

Guimarães também explicou que a quadrilha que roubou os cofres é da zona norte de São Paulo e exaltou o trabalho de sua equipe. “Não perdemos tempo com quadrilha do 69 ( DP ). Aqui o Deic tem know-how (experiência) de roubo a banco.”

O diretor fez questão de falar de qual região é a quadrilha porque Fontes, que já foi titular da Delegacia de Roubo a Bancos, abriu inquérito no 69° DP de formação de quadrilha e afirmava que a quadrilha investigada por ele poderia ter relação com o roubo ao Itaú. Fontes foi afastado do cargo no dia 15 pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, em decisão conjunta com o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, que disse, no início desta semana, que a investigação de Fontes era legal e todas as informações que ele tivesse deveriam ser transmitidas para o Deic.

Questionado sobre o fato de policiais do Deic terem chegado aos bandidos por meio de alguma informação fornecida por Fontes, Guimarães se irritou e foi enfático em dizer que só trabalha com a própria equipe. “Eu não trabalho com policial que não seja do Deic. Informações são benvindas, mas não posso acreditar em toda informação que chega.”

Falha de comunicação

O delegado-geral Carneiro atribuiu, no início da semana, o atraso no início das investigações do roubo dos cofres do Itaú a uma falha de comunicação da polícia. “Essa falha está principalmente centrada na questão de que não se tinha uma definição de valores do que foi roubado. No 78° DP ( Distrito Policial onde foi feito o boletim de ocorrência do roubo ) não se tinha o valor do que foi roubado, o boletim dava destaque de vítima para a empresa de segurança e para o banco, apontando celular e arma roubados dos seguranças”, disse na ocasião.

A Corregedoria Geral da Polícia Civil vai instaurar dois procedimentos administrativos. Um para apurar os desencontros ocorridos entre o 78º DP e o Deic, e o outro para apurar a forma com que atuava o delegado Fontes, em relação a outros crimes.

Entenda os fatos que cercam o roubo aos cofres do Itaú

27/08: quadrilha de 12 homens entra na agência do banco Itaú, na Avenida Paulista, e durante 10 horas roubam joias e dinheiro de 138 cofres particulares

28/08: caso é registrado no 78º Distrito Policial. Uma semana depois, Deic começa as investigações

06/09: Ruy Ferraz Fontes abre inquérito de formação de quadrilha no 69° Distrito Policial, a investigação paralela do caso

15/09: Ruy Ferraz é afastado do cargo de delegado titular do 69º DP. Deic prende um integrante da quadrilha e identifica outros 5 suspeitos

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