Dia Mundial Sem Carro: "É o primeiro passo", dizem motoristas

Motoristas em São Paulo contam ao iG por que aderiram ou não ao Dia Mundial Sem Carro

Márcio Apolinário, especial para o iG |

nullO Dia Mundial Sem Carro, data simbólica em que cidadãos de todo o mundo são encorajados a passar um dia sem usar o carro, foi marcado por diversas manifestações de entidades ligadas ao meio ambiente e o apoio de parte da sociedade.

Durante a manhã desta quarta-feira, a reportagem do iG foi às ruas para saber como a população estava encarando esse dia. “A ideia é mostrar que é possível se locomover a pé, de ônibus, metrô, bicicleta ou qualquer outro meio de transporte”, diz Oded Grajew, presidente do Movimento Nossa São Paulo, responsável pelo evento na capital paulista.

“A cidade de São Paulo precisa de alternativas para poder ajudar sua população a se locomover sem precisar usar o carro. Mas se for preciso usar o carro, que esse uso seja otimizado, com a adoção de ações como a Carona Solidária”, afirmou Oded, durante o evento Vaga Viva, realizado nesta manhã próximo à avenida Paulista. “O carro não é um vilão, é um aliado. A forma que ele é utilizado é que está errada. Não vale a pena uma pessoa andar em um carro sozinha.”

O diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, aderiu ao Dia Mundial Sem Carro e utilizou transporte público para ir ao trabalho. “O uso do carro começou errado na cidade. Temos o incentivo para a compra dele, somos incentivados por campanhas para comprar um para cada pessoa da família. Isso está errado. O que é investido nessas campanhas poderia ser aplicado em infraestrutura na cidade. Incentivo fiscal para não desacelerar a indústria é uma coisa, mas apoiar a compra em massa é outra. Não há planejamento para comportar mais carros na cidade”, criticou.

Para Mantovani, esse tipo de movimento (Dia Mundial sem Carro) mostra que a sociedade está atenta aos problemas da cidade. “Esse movimento é uma amostra da sociedade para o poder público de que a situação não está boa. Não é uma brincadeira sair de casa sem o carro. É, além de uma aventura, uma crítica de que devemos desenvolver alternativas de locomoção”, afirmou o diretor.

O que pensam os motoristas

Jesner Oliveira, presidente da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), aderiu

“Boa parte da população usa o carro para ir trabalhar. As empresas deveriam começar a apoiar projetos como a Carona Solidária e incentivar os funcionários que moram perto a irem trabalhar de bicicleta. Se as empresas fizessem um trabalho desse tipo, o número de carros nas ruas diminuiria bastante.”

Denis Russo, jornalista, aderiu

“Acredito que a iniciativa (Dia Mundial Sem Carro) é apenas o primeiro passo. Por outro lado, precisa de uma conscientização maior da população. Ainda existe um preconceito muito grande em relação ao uso da bicicleta como meio de transporte. Uma forma de acabar com esse preconceito é o governo investir mais em campanhas de incentivo ao uso da bike como transporte, e também colocar mais dinheiro na construção de ciclovias na cidade.”

Joana Amador, designer, aderiu

“O movimento, por ser simbólico, tem pouca adesão. Você pode olhar nas ruas, o trânsito continua o mesmo. Mas já é um começo. Antes a gente ter um dia do que deixar de lado completamente a situação do trânsito aqui em São Paulo. O que a galera precisa entender é que não é uma questão apenas de mobilidade, mas também de saúde.”

Flávio Torres/Fotomídia
Empresário utiliza veículo movido a energia elétrica para se locomover
Flávio Bisaggio, administrador de empresas, não aderiu

“Não tenho opção para chegar à avenida Paulista em pouco tempo e sem estar todo amassado. O transporte público do ABC para cá é muito precário. Quando tentei utilizá-lo, cheguei cansado ao trabalho. Caso fosse melhor, eu teria até pensado em aderir ao movimento.”

Thomaz Fuke, empresário responsável pela distribuição dos Electric Chariot (veículo de calçadas movido à energia elétrica), aderiu

“Aderi ao movimento hoje porque alguém precisa dar o primeiro passo. Se eu fui essa pessoa, acredito que outras pessoas possam me usar como exemplo e também deixar o carro em casa e ver que é possível se locomover sem a necessidade de um carro. Sei que não é tão agradável andar de coletivos, mas um dia ou outro faz bem para a cidade.”

Manlio Gallotti, químico, não aderiu

“Não aderi, e não vejo sentido para aderir. Um dia não vai mudar em nada a situação da cidade. Veja você mesmo como está caótica do mesmo jeito. Querem que eu deixe meu carro em casa para quê? Para enfrentar o caos do transporte público ou o perigo de andar de bicicleta numa cidade como essa. Sem chance!”

Jaime Ballen, advogado, aderiu em partes

“Eu moro em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Aderi em partes porque é muito complicado chegar à Paulista de transporte público. Mas para me locomover aqui dentro de São Paulo estou usando apenas o transporte público.”

A visão de estrangeiros

Flávio Torres/Fotomídia
Músicos suecos estranham a quantidade de carros em São Paulo
Os músicos suecos Daniel Ögren e Anna Von Hausswolf chegaram a São Paulo nesta semana e tiveram de encarar o trânsito caótico da capital. “O trânsito de São Paulo é mais de 10 vezes maior que a do meu país. E pelo que vejo ninguém se move para colaborar. Aqui vai precisar de muitos outros dias sem carro para melhorar alguma coisa”, critou Daniel Ögren.

“Quando cheguei aqui fiquei impressionada com o grande número de carros e tão poucas bicicletas andando por aí. Achei realmente estranho, não estamos acostumados com um trânsito desses”, Anna Von Hausswolf.

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