Deslizamento afetou ao menos 45 imóveis, diz Defesa Civil

Dez residências ruíram totalmente, dez tiveram vários cômodos destruídos e outras 25 casas foram interditadas

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Um deslizamento de terra destruiu 20 casas na quarta-feira no Jardim Maringá, na região da Penha, zona leste de São Paulo. Segundo a Defesa Civil, dez residências ruíram totalmente e dez tiveram vários cômodos destruídos. Até a noite de ontem, outros 25 imóveis haviam sido interditados, mas a Prefeitura estimava que esse número poderia chegar a cem. Ninguém ficou ferido. Ao menos 80 pessoas estão desabrigadas.

nullForam afetadas casas da Rua Fernandes Portoalegre e da Avenida Mendonça Drummont - a primeira fica em um barranco de cerca de 20 metros que desce em direção à segunda. Nos imóveis de cima, rachaduras começaram a aparecer ainda na madrugada. Moradores contam que, pouco a pouco, paredes foram cedendo e caindo sobre as casas de baixo, em efeito dominó. As últimas casas tombaram por volta das 16h.

O secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, afirmou que a região foi mapeada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em agosto como área de risco e, desde segunda-feira, fiscais da Subprefeitura da Penha estariam alertando os moradores. "Essa é uma área da Prefeitura, invadida há duas décadas", disse ele, que atribuiu o deslizamento a esgoto e águas pluviais que estariam se infiltrando no solo. "Como essas casas não são legalizadas, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) não pôde fazer a coleta do esgoto nem galerias pluviais", disse.

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Homens da Defesa Civil e famílias retiram utensílios domésticos de uma casa um dia após o deslizamento

Moradores, porém, afirmaram que ninguém foi procurado pela Prefeitura. "Fomos nós que avisamos das rachaduras hoje. E eles demoraram três horas para chegar", disse o operador Edmundo Antônio dos Santos, de 30 anos. À noite, a Prefeitura confirmou que nenhuma notificação foi feita nos últimos dias.

Eles disseram ainda que há ligação da Sabesp em todas as casas e não existe despejo de esgoto no morro. A reportagem visitou imóveis vizinhos e constatou que todos tinham relógio de medição de água. Os moradores afirmam que um cano da Sabesp teria vazado por duas semanas até ser consertado na segunda. A Sabesp informou que um pequeno vazamento na Rua Fernandes Portoalegre foi reparado e não há relação com o desabamento. 

Risco de novos desabamentos

Ainda durante a quarta-feira, o secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Ronaldo Camargo, afirmou que há risco de novos deslizamentos na área do Jardim Maringá, principalmente se chover. Segundo ele, está em estudo um projeto de contenção de encostas para a área e alguns moradores poderão voltar após as obras.

Camargo adiantou que a previsão é que os cem imóveis construídos na área sejam desocupados para evitar novos acidentes. Ele disse ainda que as casas atingidas devem ser demolidas pela Prefeitura. "Precisamos fazer uma avaliação mais cuidadosa."

Ontem à noite, em reunião com representantes dos desabrigados, Camargo ofereceu uma creche na vizinhança como local para recebê-los temporariamente. Eles foram cadastrados e receberam colchões. Balanço da administração, no entanto, apontava que apenas uma família havia pedido abrigo. As outras seguiram para a casa de parentes e amigos. Na reunião, a Prefeitura prometeu pagar auxílio aluguel para as famílias que não tenham para onde ir. Cerca de 80 pessoas foram afetadas pelo acidente.

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