"Descarto acidente", diz delegado sobre criança alcoolizada

Menino de 2 anos segue internado em Sertãozinho, interior de São Paulo. Vizinhos dizem que consumo de álcool é "recorrente"

iG São Paulo |

O delegado Plaucio Fernandes, da Delegacia Seccional de Sertãozinho, cidade a 349 km da capital paulista, afirmou ao iG descartar a hipótese de acidente no caso de um menino de 2 anos que foi internado, na tarde de domingo, com suspeita de coma alcoólico. "Testemunhas disseram que situação é recorrente e já viram as crianças consumindo álcool na casa outras vezes", afirma.

O menino vivia com os pais e cinco irmãos - sendo que o mais velho tem apenas 7 anos -  no bairro Vila Garcia, na periferia da cidade. Por volta das 15h, ele foi levado por uma mulher à Santa Casa local, que ligou para o delegado informando a situação da criança.

"Fiquei abismado quando soube que ele só tinha 2 anos e fui pessoalmente averiguar", diz ele, que conta ter ficado impressionado com o estado do garoto. "Ele estava inconsciente, entubado, em estado muito grave. E a médica muito preocupada, dizendo que ele tinha forte hálito etílico", afirma.

No local onde o menino vivia, segundo Fernandes, vizinhos afirmaram que ele foi visto saindo de casa cambaleando e estava prestes a cair em um córrego quando foi socorrido. O delegado informa que apreendeu no imóvel uma garrafa de pinga e deteve os pais da criança. "A gente entendeu que não foi mero acidente e acionamos o Conselho Tutelar, que retirou as crianças do convívio", explica. Elas foram entregues a um familiar.

Segundo ele, porém, ainda não possível determinar se houve negligência dos responsáveis ou se eles próprios deram a bebida na boca da criança. Em depoimento, o delegado diz que os pais apresentaram versões "inverossímeis". "A mulher disse que criança saiu e uma moto a atropelou, o que foi descartado pela médica. O pai disse que estava fora, bebendo em bar e que um amigo tinha deixado a pinga na casa dele, e que o menino podia ter pegado", afirma. 

Os suspeitos foram enquadrados com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que considera crime a entrega de substâncias ilícitas ou que causem dependência física ou psíquica à criança ou adolescente. "Dependendo do quadro da criança, se ela ficar com alguma sequela, o indiciamento pode se agravar", acrescenta. O delegado estipulou fiança de R$ 320 para cada um, mas como o valor não foi pago, eles seguem detidos.

Procurada, a Santa Casa afirmou que a criança recuperou a consciência e foi transferida da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para uma ala pediátrica, onde passa por exames. O hospital informa que o menino ainda "está sonolento por conta dos efeitos do álcool", mas não corre risco de morte. Ainda não é possível saber se ele terá algum tipo de sequela e a prioridade, no momento, conforme a Santa Casa, é desintoxicar o organismo do garoto. Não há previsão de alta.

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