Delegado do caso Mércia deixa o cargo no DHPP

Ainda não há informação sobre o cargo Antônio de Olim ocupará

AE |

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O Delegado que investigou o caso Mércia Nakashima, Antônio Assunção de Olim, não é mais delegado titular do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP). 

Segundo informações da SSP, o diretor geral do DHPP, Antônio Vieira, realizou um remanejamento interno e ainda deverá decidir qual cargo Olim ocupará. Conforme a SSP, o relatório da investigação do caso Mércia já foi finalizado e entregue à justiça.

O caso 

O relatório da Polícia Técnico Científica concluiu que o sapato de Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, possui a mesma alga presente na represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, onde o corpo e o carro da advogada foram encontrados no dia 11 de junho. Com mais de 200 páginas de análise, o relatório foi concluído e entregue no dia 31 de agosto à Polícia Civil.

ARQUIVO PESSOAL
Mércia Nakashima desapareceu no dia 23 de maio e o seu corpo foi encontrado na represa de Nazaré Paulista em 11 de junho
“A alga encontrada no sapato pertence à represa. Ela se reproduz apenas na margem; na beirada não sobrevive por excesso de luz e, no fundo, pela falta”, afirmou Renato Pattoli, que comandou a perícia. A alga é do gênero Chaetophora, que só se reproduz em água doce e em baixas profundezas. Desta forma,  segundo a polícia, para tê-la no sapato a pessoa precisaria pisar dentro da represa, entrando com parte do corpo na água. Carlos Eduardo Bicudo, pesquisador do Instituto de Botância da Universidade de São Paulo (USP) ajudou os peritos nos trabalhos.

Segundo Pattoli, na sola do calçado do acusado também foi encontrado fragmento de osso, mancha de sangue e chumbo. No entanto, por se tratar de uma quantidade muito pequena, não foi possível realizar exames de DNA para comprovar se os resíduos eram de Mércia.

“A defesa deve estudar o relatório, pode ser que contrate um outro perito, mas me sinto à vontade para dizer que o sapato esteve no local do crime”, acrescentou. Conforme a perícia, os sapatos foram entregues limpos e lavados, e ainda assim foi possível encontrar vestígios. As roupas de Mizael também foram periciadas, mas nada foi localizado nelas.

Dentro do veículo de Mércia foram encontrados dois projéteis, sendo que uma análise microscópica mostrou que em um deles havia fibra da blusa da advogada. Para a perícia, os disparos aconteceram dentro do carro de Mércia e, em seguida, o veículo foi empurrado para a represa. O autor dos disparos estaria no banco do passageiro enquanto a vítima no do motorista. “O banco do motorista estava bem pra frente, compatível com o tamanho do corpo de Mércia”, afirmou Pattoli.

O diretor do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Marco Antônio Desgualdo, enfatizou que o resultado obtido pela perícia se soma às provas já levantadas pelas investigação comandada pelo delegado Antônio Olim. "A convicção da polícia está toda aqui, tanto pela investigação, como o rastreamento do veículo e os laudos", considerou, mas evitou comentar se a Justiça agora deve emitir um novo mandado de prisão para Mizael, disse apenas: "os laudos trouxeram maior subsídio, vai ficar mais fácil ao julgador".

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG , antes mesmo de saber da morte da irmã, Cláudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. "Quando estava com ele Mércia era outra pessoa. Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, disse Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado alegou que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. Um fato que complicou a situação de Bispo é que o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

O laudo divulgado no último dia 20 de julho pelo Instituto Médico Legal (IML) diz que Mércia foi ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, ainda foi atingida no rosto por um outro objeto, que a perícia não conseguiu precisar qual foi. A causa da morte apontada no laudo é afogado. Para a polícia, ela teria sido jogada dentro do carro, ainda com viva, mas desacordada, na lagoa de Nazaré Paulista. Leia também a cronologia do caso.

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