Defensoria pede ações contra chuvas em dois bairros da zona leste de SP

Órgão aponta situações de risco nas comunidades Maria Santana e Vila União; aproximadamente mil famílias serão beneficiadas pelas medidas

iG São Paulo |

Prevendo possíveis enchentes devido fortes chuvas que costumam atingir a cidade de São Paulo durante o verão, a Defensoria Pública enviou um documento de recomendações à Secretaria de Infraestrutura Urbana, à Subprefeitura de São Miguel Paulista e à Defesa Civil, a fim de minimizar os riscos de transbordamentos de córregos e rios na zona leste da capital.

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Os conjuntos citados como problemáticos pelo defensor Bruno Miragaia de Souza são as comunidades Maria Santana e Vila União. Segundo assessoria da Defensoria Públca, os documentos foram enviados aos órgãos públicos responsáveis pela ações nos dias 22 e 24 de novembro. Caso o pacote de recomendações seja atendido, cerca de mil famílias, que já sofrem com as enchentes, serão beneficiadas.

Carolina Garcia
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Na comunidade Maria Santana, por exemplo, segundo a Defensoria, cerca de 24 casas foram demolidas em dezembro de 2010 por apresentarem riscos às vidas dos moradores. No entanto, os resíduos sólidos (entulhos) das demolições, como móveis e pneus ainda se encontram às margens ou mesmo dentro do córrego Sítio Casa Pintada.

A situação é similar na segunda comunidade citada no documento, a Vila União. Há uma área a céu aberto de um córrego com risco de erosões nas margens. De acordo com Souza, autor das recomendações, os resíduos prejudicam a drenagem do córrego, podendo causar novos entupimentos de galerias gerando inundações na região.

Por isso, diante dos exemplos apresentados em seu relatório, Souza centraliza suas orientações na remoção dos entulhos, lixos, móveis, pneus e outros resíduos que estejam à margem de córregos. Outra sugestão é a imediata realização de obras de contenção de muros e margens para o controle do processo erosivo do leito, bem como obras para eliminar riscos de desabamento nos imóveis existentes.

Áreas de risco

Segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em seu último estudo divulgado em outubro e realizado em parceira com a Prefeitura de São Paulo , 15,3 km² do território da cidade de São Paulo estão em risco alto (R3) ou muito alto (R4) aos moradores. Outras 527 regiões são consideradas de risco médio baixo (R2 e R1) na cidade.

O iG visitou alguns desses locais de alto risco, os bairros Parque Santa Madalena e Jardim Helena , no extremo leste da capital. Lá os moradores esperam por mais uma temporada de desastres. “Nos preparamos para não perder tudo pela terceira vez. A cada chuva lembramos do que já passamos”, diz a dona de casa Kátia Cristina Bazan, do Parque Santa Madalena.

Arquivo pessoal
Alagamento no Jardim Helena em janeiro deste ano
Nas regiões detectadas pelo IPT como problemáticas, as ocorrências mais frequentes são escorregamentos em áreas de encosta (735 apresentam esse risco) e solapamento (erosão) de margens de córregos (444 regiões). No bairro Jardim Helena, local que ficou conhecido por ser um dos bairros que em 2010 ficou quase três meses alagados em São Paulo , cerca de 70 famílias lidam com o risco de erosão das margens do córrego na região. Segundo a prefeitura, 200 casas foram desapropriadas e posteriormente demolidas após acordos com auxílio moradia.

Porém, a dona de casa Rosicleide Alves, de 23, que não aceitou a indenização de R$ de 300 por mês, ainda vive com o filho de 1 ano nas margens de um córrego. Para ela, “a casa vale mais do que isso” e seria injusto sair por menos. Assim como outros moradores, Rosicleide tem a casa adaptada em caso de novas enchentes. Blocos foram colocados ao lado dos móveis, que estão prontos para serem erguidos quando necessário.

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