Davi teria exibido arma para colega na escola, diz pai de criança

Polícia ouviu colegas de aluno que atirou contra professora. Pai de outro estudante disse que filho viu arma com Davi antes do intervalo da escola

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Orlando Filho / Diário do Grande ABC / AE
Colega de Davi chega acompanhado dos pais para conversar com delegada
Com uma equipe de psicólogos, a Polícia Civil de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, ouviu nesta segunda-feira quatro colegas (dois meninos e duas meninas) de Davi Mota Nogueira, aluno de 10 anos que atirou contra a professora Rosileide Oliveira e se matou depois. Segundo Marcos Santos, de 38 anos, pai de M.V.S, uma das crianças ouvidas pela polícia, o filho relatou que Davi tinha planos de matar a professora. Santos disse ainda que seu filho teria visto a arma com Davi já que ele teria aberto a mochila e mostrado o cabo do revólver ao colega. “No intervalo, M. virou para a irmã mais velha e disse: 'Davi tem uma arma, vai atirar na professora e se matar'. Ela achou que era uma brincadeira e não acreditou”, explicou o pai.

Em breves depoimentos, todos com menos de uma hora, as crianças informaram a polícia sobre o perfil do colega Davi. Outro aluno também ouvido pela polícia foi G.J.G, que pediu para retornar à escola logo após o fato e foi o primeiro a conversar com psicólogos. Para Gisele Cristina Jorge da Silva, de 30 anos, mãe de G.J.G, ele ficou muito chocado e queria conversar com alguém sobre o acontecido. “Do que eu ouvi, ele ( Davi ) já estava preparado. Ele tinha apenas 10 anos. É difícil manusear uma arma”, acredita.

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Ao terminar os depoimentos, a delegada do 3º Distrito Policial de São Caetano, Lucy Mastellini Fernandes, afirmou que o caso está longe de ser entendido. Segundo ela, os depoimentos não revelaram o que teria levado Davi a atirar contra a professora da Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão e se matar em seguida. "Eu acho que ele ( Davi ) levou com ele o segredo. Estou mais confusa do que quando entrei no caso", disse, se referindo ao depoimento do menor M.V.S.

O garoto contou ao pai que Davi o informou sobre a intenção de matar a professora. Porém, durante conversa com a polícia, M. teria omitido tal parte. "Tem que tomar cuidado, às vezes o que a criança fala aqui não é o que ela diz para os outros. Ela pode sofrer influência e mudar os fatos". Lucy ressaltou que o menor M. confirmou ter visto a arma, que achou ser de brinquedo, mas não confirmou qual seria a intenção de Davi. Já na sala de aula, segundo M., Davi levantou, disse que teria seis balas no revólver e foi em direção à professora. "Ele chegou a dizer 'não faz isso' ao Davi", explica a delegada.  

Rosileide em sala de aula

Lucy disse que, durante os depoimentos das crianças, tentou analisar qual era a relaçãoda professora com os alunos. "Ela era considerada chata no sentido de ser exigente. Não queria barulho na sala e cobrava as lições. Ficou claro que os alunos a consideravam a menos legal". Ainda nesta segunda-feira, Rosileide é ouvida pela polícia. O local do depoimento é mantido sob sigilo a pedido da família.

A professora Rosileide deixou o Hospital das Clínicas na última quinta-feira (29 de setembro), por volta das 14h45. Ela recebeu alta após se recuperar bem de sua última cirurgia na rótula esquerda, realizada na quarta (28). Rosileide deixou o hospital sem dar declarações à imprensa e por uma saída onde não havia jornalistas.

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