Crime não tem explicação e caso deve ser arquivado, diz delegado

No domingo, em uma tradicional família de Jaú, em SP, irmão matou as irmãs e depois se matou. Polícia descarta briga por herança

Cristiane Hortenci, especial para o iG |

Reprodução/Google Maps
Jaú fica a 300 quilômetros de São Paulo
O delegado do 1º Distrito Policial de Jaú, Euclides Francisco Salviato Júnior, ouviu na manhã desta quinta-feira (6) o advogado João Batista de Miranda Prado Neto, 52, irmão do bancário aposentado Francisco Miranda de Almeida Prado, 59, que, no domingo, atirou contra as duas irmãs: as professoras, também aposentadas, Ana Carolina Miranda de Almeida Prado, 66 anos, e Ana Cecília Miranda de Almeida Prado, 60 anos. Após atirar nas irmãs, ele cometeu suicídio.

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Com base no depoimento do irmão, o delegado descartou a hipótese de que as mortes teriam ligação com disputa de herança. Ele deu por encerrado o caso e, nos próximos dias, deverá concluir o inquérito. “Ele não trouxe argumentos para dar a motivação do crime, mas derrubou a hipótese que se falava em briga de família por causa de herança. Disse que não havia discussões entre os irmãos e que a partilha dos bens, pertencentes ao pai falecido, ocorreu há cerca de 16 anos”, diz.

Em depoimento, João Batista informou que eram poucos os bens em nome da família e negou que fossem proprietários de fazendas, gado, imóveis e carros, como alguns veículos da imprensa divulgaram. “O irmão falou que eles viviam de aposentadoria, não tinham dificuldades financeiras e não havia nenhuma briga entre eles, se davam bem”.

Com relação ao comportamento do irmão, o advogado disse que ele era tranquilo, não tinha distúrbios psicológicos nem estaria ingerindo medicamentos controlados. “Ele contou que o irmão viajava bastante e praticava esportes. A única coisa que falou é que Francisco alternava momentos em que bebia muito e depois ficava sem beber, mas não chegava a ficar embriagado ou agressivo".

“O irmão falou que eles viviam de aposentadoria, não tinham dificuldades financeiras e não havia nenhuma briga entre eles, se davam bem”

Diante das declarações do irmão mais novo, o delegado decidiu não ouvir mais a matriarca da família, Ana Maria Pacheco de Almeida Prado, 89, pois considera o depoimento dela desnecessário.

“Diante do que o irmão falou, ouvi-la seria forçar uma situação e até agravar seu estado, pois ela está muito abalada. Agora é esperar os laudos e concluir o inquérito. É bem provável que o promotor peça o arquivamento do processo", prevê.

Para Salviato, a motivação do crime continuará sendo um mistério. “Pelas diligências que fizemos, ouvimos pessoas do posto onde Francisco esteve no dia do crime, além de vizinhos, e agora o irmão, todos falaram a mesma coisa. Ele era calmo, tranquilo. Então fica difícil determinar. Foi um surto talvez o que aconteceu. O motivo ele levou com ele, porque a gente não imagina o que possa ter acontecido”, conclui o delegado.

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