Córregos transbordam e deixam cidades do ABC alagadas

Ruas de São Bernardo e Santo André ficaram debaixo d'água após alagamentos de rios e córregos. Rodovia Anchieta ficou interditada

iG São Paulo |

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Rapaz atravessa alagamento na avenida Bom Pastor, na cidade de Santo André, no ABC Paulista

O rio Tamanduateí transbordou na tarde desta terça-feira, em Santo André, na Grande São Paulo, causando diversos transtornos para moradores da região. Segundo a Defesa Civil do município, a avenida dos Estados ficou completamente intransitável e carros e ônibus ficaram ilhados. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, foi utilizado para fazer o resgate de motoristas. Ainda em Santo André, o córrego Guarará também transbordou e a água interditou a avenida Capitão Mário Toledo de Camargo.  Belo Horizonte, em Minas Gerais, também foi atingida por fortes chuvas nesta terça-feira .

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura de São Paulo, também ocorreu transbordamento no córrego Sarancantan, em São Bernardo do Campo, na altura da rua das Vianas; no ribeirão dos Meninos, em Santo André, próximo à Faculdade de Medicina; e no ribeirão dos Couros, em São Bernardo do Campo, na av. Humberto Castelo Branco. A rodovia Anchieta sofreu com alagamentos no quilômetro 18 e no quilômetro 13, local que chegou a ficar interditado.

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Dentista é resgatada em meio ao alagamento na rotatória do Paço Municipal da cidade de São Bernardo do Campo

A chuva que atingiu a região metropolitana de São Paulo também deixou toda a capital paulista em estado de atenção até as 19h15. A subprefeitura da Vila Prudente ficou em alerta por conta do transbordamento do rio Tamanduateí, que deixou um ponto de alagamento intransitável na av. Professor de Anhaia Mello, na zona leste.

O aeroporto de Congonhas, na zona sul, fechou por cerca de dez minutos. Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a interdição para pousos e decolagens ocorreu das 17h35 às 17h45.

Em Mauá, na Grande São Paulo, um deslizamento de terra destruiu uma casa, segundo informações da Defesa Civil municipal. A residência estava localizada no Jardim Zaíra, o mesmo em que seis pessoas já morreram soterradas neste ano . Todos os moradores haviam sido removidos da casa e não houve feridos.

A Defesa Civil informou que a chuva deixou a cidade praticamente parada. O transbordamento do rio Tamanduateí foi um dos grandes responsáveis. Grandes avenidas, como a João Ramalho e Itapark, ficaram totalmente alagadas. A chuva parou e a situação está normalizada, de acordo com a Defesa Civil.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital informou que acionou seu plano emergencial de atendimento às enchentes. Os agentes de trânsito em serviço foram deslocados para monitorar os principais corredores de trânsito e locais com maior possibilidade de alagamentos, como a Marginal Tietê, a Marginal Pinheiros, o Vale do Anhangabaú e os entornos dos rios Tamanduateí, Aricanduva, Ipiranga e Pirajussara.

Segundo o CGE, as áreas de instabilidade que atingiram com força diversos pontos da capital entre a tarde e o início da noite perderam intensidade no fim da noite. Houve registro de precipitação moderada apenas em alguns pontos das zonas norte, leste e sul, principalmente entre os bairros de Pirituba, Jaraguá, Freguesia do Ó, Casa Verde, Santana, Penha, Itaquera e Engenheiro Marsilac. Nas demais localidades, a chuva é leve.

nullNa Grande São Paulo chovia moderado em Mogi das Cruzes, Suzano Guarulhos, Santa Isabel, Francisco Morato, Franco da Rocha, Caieiras e parte de São Bernardo do Campo.

Conforme os meteorologistas do CGE, as áreas de chuva forte que atingiram a capital e ABC foram para o oceano. Às 17h25, o aeroporto de Guarulhos registrou chuva forte acompanhada de rajadas de vento de 58 km/h. No aeroporto do Campo de Marte, a velocidade dos ventos chegou a 32 km/h às 17h32.

Trens

Um trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que circulava pela Linha 11 - Coral (Luz-Guaianazes), parou por volta das 17h45 entre as estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera, por causa de um defeito no fornecimento de energia da subestação Itaquera, segundo a assessoria de imprensa da CPTM. No vagão o sistema de som avisou aos usuários sobre o problema de energia. Depois de aproximadamente 20 minutos de paralisação e sem o sistema de ventilação funcionando, usuários quebraram os vidros, abandonarem a composição e caminharem pelos trilhos da Linha 11.

Outros trens que estavam em funcionamento passavam em linhas ao lado, colocando em risco a vida dos passageiros que andavam em direção à estação. O trem então religou, avançou por cerca de 20 metros, e parou novamente. Em nota a CPTM informou que "os usuários estão sendo orientados pelo sistema de som das estações e trens. Como alternativa, a região conta com a Linha 12 - Safira (Brás-Calmon Viana), da CPTM, e a Linha 3 Vermelha (Palmeiras-Barra Funda / Corinthians-Itaquera), do Metrô."

Na Linha 10 Turquesa (Luz-Rio Grande da Serra), em razão das chuvas, a circulação de trens, de acordo com a CPTM, foi "feita somente nos trechos Luz-São Caetano e Mauá-Rio Grande da Serra por causa de vários pontos de alagamento na região do Grande ABC. A Operação PAESE (serviço de ônibus gratuitos) foi acionada para fazer o transporte dos usuários entre as estações São Caetano e Mauá. Os usuários estão sendo orientados pelo sistema de som das estações e trens." .

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Escuras nuvens já indicavam fortes chuvas em Santo André
Maiores índices pluviométricos até as 19h:

Rio Tamanduateí (Mauá) - 63,2mm
Corrego Oratório - ( Mauá) - 62,6mm
Rudge Ramos (São Bernardo do Campo) - 50,0mm
Ribeirão dos Meninos (Volks / São Bernardo do Campo) - 45,8mm
Ribeirão dos Couros (Ford / São Bernardo do Campo) - 38,2mm
Córrego Cabuçu de Cima (Vila Galvão) - 19,2mm

Áreas de risco em São Paulo

A cidade possui atualmente 407 áreas de risco em 26 subprefeituras , segundo mapeamento realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Nessas áreas, além de residências, há vários equipamentos do poder público que sofrem risco de deslizamentos de terra ou inundações, o que contribui para a fixação da população em situação irregular no entorno.

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