Córregos de São Paulo voltam a ter lixo após despoluição

Esgoto, lixo e mau cheiro espantam frequentadores do Parque da Juventude, por onde passa córrego Carajás, na zona norte de SP

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Três anos depois de ser despoluído pelo governo do Estado, o córrego Carajás voltou a espantar os frequentadores do Parque da Juventude, na zona norte de São Paulo. Carregado de esgoto e lixo, o curso d¿água espalha um forte odor dentro de uma das principais áreas de lazer da cidade, por onde passam cerca de 15 mil pessoas todos os dias. Moradores da região dizem ter desistido de correr na pista de cooper do parque por causa do mau cheiro.

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Após três anos da despoluição, que custou R$ 9,7 milhões, Córrego Carajás volta a incomodar

A situação do Carajás também é observada em outros três córregos da capital cuja despoluição já foi concluída pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), na primeira fase do Programa Córrego Limpo. Em 2007, o projeto foi lançado com a meta de limpar cem córregos paulistanos até dezembro de 2010. A etapa inicial terminou em março de 2009, com 28 córregos revitalizados e obras em trechos de outros 14.

 No caso dos moradores de Santana, a limpeza do Carajás parecia uma conquista irreversível. Foram aplicados R$ 9,7 milhões na limpeza, incluindo 141 novas ligações de esgoto em residências que ainda lançavam dejetos direto no manancial, por meio de fossas sépticas. O "Riacho das Corujas", como é chamado por usuários do parque por causa das tocas dessas aves em sua margem, não fedia mais e desaguava no Rio Tietê.

Logo após a despoluição, em junho de 2007, o índice de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) do córrego caiu para 9 miligramas por litro; na medição feita em setembro de 2004, um ano após a inauguração do parque, o mesmo índice chegou a 193 mg/l - uma água considerada limpa tem DBO de 30 mg/l. O feito tornou a intervenção um modelo para o Córrego Limpo, com a divulgação em universidades do Rio e de Minas Gerais sobre o sucesso da ação.

Mas segundo o administrador do parque, Paulo Pavan, o problema nunca desapareceu totalmente. E não foi só a estiagem que agravou o cheiro, de acordo com Pavan. Como outros moradores da Avenida Zaki Narchi, ele suspeita de ligações clandestinas de esgoto feitas diretamente no córrego por moradores do vizinho conjunto habitacional Cingapura, onde moram 6 mil pessoas.

A Sabesp informou que vai realizar uma inspeção na rede coletora de toda a bacia do Córrego Carajás para descobrir se foram feitas ligações clandestinas de esgoto no curso de 8,7 km do manancial. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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