Corpo de aluno que atirou contra professora é velado na Grande São Paulo

Depois de ferir professora, menino disparou contra a própria cabeça e morreu. Crime ocorreu em escola em São Caetano do Sul

iG São Paulo |

Carolina Garcia
A professora Cinira Fernandes lamentou a tragédia na escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão
O corpo do estudante D.M.N, de 10 anos, que atirou contra uma professora e depois se matou , é velado no Cemitério das Lágrimas, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O velório começou às 23h de quinta-feira (22) e segue até 16h, quando será realizado o enterro.

Muitos estudantes e professores da Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão, estão presentes. Muito emocionada, a professora Cinira Fernandes falou sobre o garoto. "Ele era muito bonzinho. Fui professora dele e o que aconteceu é inexplicável pela tranquilidade dele e pela postura da professora que sempre foi uma ótima profissional."

Guilherme Vasconcelos Souza, de 9 anos, era muito próximo a D.M.N. Ontem, ele não foi à escola. "Ele era calmo, quietinho. Ele escrevia bonito e estudava muito."

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Carmelita Cordeiro, muito amiga da família e frequentadora da mesma igreja, lamenta a tragédia. "O menino era um anjo. Nunca vi ninguém o tirando do sério. É uma família muito religiosa. Estão todos sofrendo muito."

De acordo com testemunhas, na quinta-feira, D.M.N., que cursava o 4º ano, atirou na professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38 anos, dentro da sala de aula, onde estavam outros 25 alunos. Em seguida, ele se retirou da sala e disparou um tiro na própria cabeça. O motivo do crime é desconhecido.

O aluno e a professora chegaram a ser socorridos com vida. Ele foi atendido no hospital de Emergência Albert Sabin, teve duas paradas cardíacas e morreu às 16h50. A professora foi socorrida pelo helicóptero Águia da Polícia Militar e levada para o Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Carolina Garcia
Corpo de estudante é velado no Cemitério das Lágrimas, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo

A arma usada por D.M.N é de seu pai, o guarda civil municipal Milton Nogueira. Segundo o secretário de Segurança, Moacyr Rodrigues, o revólver é particular, e não da corporação. O pai do aluno pode ser acusado de negligência e responder por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Ainda de acordo com o secretário, a conduta do guarda civil sempre foi "exemplar" e vizinhos contam que a família era um modelo na vizinhança.

Aulas suspensas

As aulas continuavam suspensas, nesta sexta-feira, na Escola Municipal Alcina Dantas. O colégio amanheceu fechado e não deverá haver atividades ao longo do dia. Segundo o censo 2010, a escola Alcina Dantas tem 2.204 alunos nos ensinos fundamental e médio e 118 professores. A instituição está entre as melhores escolas públicas do País.

Na fase inicial do ensino fundamental, que vai do 1º ao 5º ano e inclui a série em que estudava o menino, a unidade foi a 14ª colocada em todo o Brasil entre as públicas no Índice da Educação Básica, o Ideb, com nota 6,7 acima da média das públicas (4,4) e mesmo das instituições particulares (6,4).

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Aulas são suspensas na Escola Municipal Alcina Dantas Feijão. Instituição pública é umas das melhores do País

Disparos

Aluno da escola, Luan Pereira, de 15 anos, conta que assistia à aula em uma sala localizada no mesmo corredor em que aconteceram os disparos quando ouviu dois "estouros". "Achamos que fosse uma bomba. Saímos correndo e vimos o chão todo ensanguentado. Pensamos que fosse um assalto. Entramos de volta na sala e começamos a colocar cadeiras na porta", conta. "Depois muita gente passou correndo e chorando".

Ainda segundo ele, amigo do irmão mais velho de D.M.N, o garoto era tímido, sozinho e não andava com amigos. "Mas também nunca se envolveu em brigas", conta. Vizinha do menino e estudante da mesma escola, Gabrielle Areaz, de 16 anos, conta que a família do menino é considerada exemplar no prédio onde moram e que ele é "bem calmo, muito tímido e não brincava com as outras crianças. A maioria das crianças brinca no prédio, mas eu nunca o vi por lá". Gabrielle conta que o viu antes de ir para a aula, na manhã desta quinta, e ele parecia calmo, sem nada que chamasse a atenção.

A professora continua internada no Hospital das Clínicas. Ela passou por uma cirurgia na noite de ontem e seu quadro é estável . O tiro foi na região posterior do lado esquerdo, altura do quadril, e a bala estava alojada entre o reto e o útero. Rosileide teve fratura de bacia. Rosileide é professora da rede municipal desde fevereiro de 2005.

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