Confrontos de resistência à prisão matam 148 em SP em três meses

Segundo a Polícia Civil, foram 129 casos de resistência seguida de morte e só um policial teria agido de forma ilegítima

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Desde abril, quando o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu as investigações dos casos de resistência à prisão seguida de morte , 148 pessoas morreram na capital e na Grande São Paulo. Segundo o órgão, dos 129 casos registrados, 87% envolveram policiais militares, 8% policiais civis e 5% guardas civis metropolitanos.

Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira, o diretor do DHPP, Jorge Carlos Carrasco, explica que 30% dos casos foram resolvidos e encaminhados à Justiça. Desses, apenas um caracterizou conduta ilegítima do policial, que foi preso por homicídio. O caso ocorreu no início deste mês em Santo André. O soldado Dionel José Ferreira de Melo simulou ter sido assaltado e, quando o bandido resistiu à prisão, disparou quatro vezes.

Depois de investigação, ficou comprovado que Melo atraiu a vítima, o administrador Eduardo Cardozo de Lima, 29 anos, para uma padaria e o assassinou. Eles já se conheciam e Lima tinha passagem pela polícia por roubo e homicídio. O soldado chamou a polícia e uma viatura com dois policiais do 10° Batalhão, de Santo André, atendeu a ocorrência.

Os dois policiais são suspeitos de ter acobertado o caso e, provavelmente, terem dado mais dois tiros na vítima – que chegou ao hospital com seis perfurações e não quatro. Os PMs foram afastados das ruas e são investigados.

Diminuição de letalidade

O diretor do DHPP afirma que a intenção do órgão, ao assumir as investigações de casos de resistência seguida de morte, não é diminuir a letalidade. “A atribuição [dada pelo Governo do Estado] é investigar as resistências seguidas de morte, dando legitimidade ou não.”

Questionado sobre o aumento do número de casos envolvendo policiais militares (em abril foram 25, em maio, 46 e em junho, 62), o tenente-coronel Edson Silvestre argumenta que a PM não procura o confronto com o bandido, mas reage. “A PM tem chegado com mais rapidez ao local da ocorrência, o que aumenta a probabilidade de confronto”, alega.

Silvestre ressalta que de janeiro a última segunda-feira (11/07), dez policiais militares morreram em serviço e 18 morreram quando estavam de folga, mas por consequência da profissão. Além disso, nos últimos cinco anos, a PM demitiu, em média, 250 policiais por ano devido a desvio de conduta.

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