Começa o prazo para que os estudantes da USP desocupem reitoria

Estudantes precisam deixar o local até as 17h de sábado, mas afirmam que não desocuparão o prédio

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Um oficial de Justiça comunicou nesta sexta-feira aos estudantes que ocupam o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) desde a madrugada de quarta-feira (02) a decisão da juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública Central, que deu um prazo de 24 horas para que todos os estudantes desocupem o prédio dentro da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista.

Leia também: USP divulga imagens da invasão no prédio da reitoria. Veja o vídeo

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Alunos seguem ocupando o prédio da reitoria da USP
O representante da Justiça foi até o local para entregar dois documentos aos alunos. Um era a notificação de reintegração de posse emitida pela juíza e a outro era uma intimação para uma audiência de conciliação marcada para as 10h deste sábado. Os alunos se recusaram a assinar os dois documentos e foram comunicados pelo oficial de Justiça oralmente. Desta forma, os estudantes tem até as 17h deste sábado para sair da reitoria.

Alguns alunos saíram da reitoria, fizeram uma corrente em frente ao local e, enquanto o oficial lia as determinações dos documentos, vaiavam. Depois, gritaram em coro: "Fora PM".

Mas o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho, representante dos alunos que estão dentro do prédio, afirmou que os estudantes reforçaram o comunicado que não vão deixar o local e que se houver confronto violento com a polícia a responsabilidade será do reitor da universidade, João Grandino Rodas.

Os alunos estão desde quinta-feira (03) sem luz e  internet no prédio. Eles tentam ligar um gerador que há no local.

Embora a juíza tenha, em sua decisão, afirmado que a reintegração deve ser realizada "sem violência" e em "clima de paz", o uso da força policial está autorizado após o cumprimento do prazo.

O prédio da reitoria da USP foi ocupado após uma assembleia de estudantes decidir pelo cancelamento de outra invasão, no prédio administrativo de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) , na noite de terça-feira (1). O primeiro ato ocorreu em protesto pela detenção de três estudantes que estariam fumando maconha no estacionamento na última semana.

Na tarde de quinta (3), a reitoria divulgou imagens das câmeras instaladas no prédio da reitoria que mostram o momento em que várias pessoas forçam o portão e invadem o local.

Polícia sem armas

Enquanto alguns alunos que ocupam a reitoria não quiseram falar com o iG na tarde desta sexta-feira, um ex-aluno de letras da Pontifícia Universidade Católica do Chile procurou a reportagem. Felipe B., 23 anos, agora é professor de poesia brasileira na PUC do Chile e contou que está acompanhando a reivindicação dos alunos da USP.

Segundo ele, o movimento não é contra a segurança na USP. "Não queremos a PM fora da universidade. Queremos a polícia sem armas. Queremos a polícia como instituição, íntegra", afirmou, citando a universidade como a casa dos estudantes.

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Assembleia dos estudantes que ocupam o prédio da reitoria da USP, realizada na noite passada

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